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Presidenciais

Ventura sempre presente, Marcelo a dar notícias e Mayan a surpreender. Onze momentos dos debates a dois

10 jan, 2021 - 17:15 • Eunice Lourenço , Inês Rocha

O líder do Chega, André Ventura, acabou por estar presente na maioria dos debates, mesmo naqueles em que não participou. Marcelo, o incumbente, dominou.

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Ventura sempre presente, Marcelo a dar notícias e Mayan a surpreender. 11 momentos dos debates a dois
Ventura sempre presente, Marcelo a dar notícias e Mayan a surpreender. 11 momentos dos debates a dois

A primeira ronda dos debates presidenciais terminou este sábado e constitui, até agora, o grosso da campanha eleitoral na medida em que foi sobretudo através dos frente-a-frente televisivos que os candidatos chegaram aos eleitores.

O líder do Chega, André Ventura, acabou por estar presente na maioria dos debates, mesmo naqueles em que não participou, uma vez que os outros candidatos foram questionados a hipótese de um governo que inclua o seu partido. Tal como Marcelo esteve presente em todos, pois como Presidente em funções é com ele que os outros candidatos têm de fazer a diferença. Também por todos os debates passou a pandemia e pela maioria deles o caso do currículo d o juiz José Guerra.

Ainda faltam os debates com todos; primeiro na RTP, no dia 12, depois nas rádios Renascença, Antena 1 e TSF, a 18. E faltam também alguns frente-a-frente marcados no Porto Canal. Mas a Renascença escolhe, para já, 11 momentos significativos destes debates.

1 – Marisa Matias- Marcelo Rebelo de Sousa

Foi o primeiro debate e mostrou dois candidatos que até gostam pessoalmente um do outro e tiveram uma causa comum nestes últimos anos: o estatuto do cuidador informal. Mas também mostrou uma Marisa Matias com dificuldades em justificar a sua candidatura e que até terminou a dizer que há circunstâncias que a podiam levar a votar em Marcelo.

2 – João Ferreira – André Ventura

O não-debate. André Ventura, num seu primeiro frente-a-frente, optou por uma estratégia de ataque permanente ao seu adversário. João Ferreira tentou manter a calma, mas não houve uma ideia que ficasse deste debate que parecia indiciar que era impossível debater com o líder do Chega.

3- Marcelo Rebelo de Sousa – Tiago Mayan Gonçalves

Mayan Gonçalves mostrou que é possível fazer oposição a Marcelo e disse-lhe na cara tudo o que tem dito em entrevistas: que o Presidente só se move pela popularidade. Marcelo rejeitou e tentou vencer o debate mostrando que os liberais não têm respostas para os problemas sociais. O candidato apoiado pela Iniciativa Liberal percebeu que tinha ali um ponto fraco e nos debates seguintes mostrou que tem.

4 – João Ferreira – Marcelo Rebelo de Sousa

O Presidente usou de uma técnica que usou noutras ocasiões: dar uma notícia e assim marcar o debate. Neste dia, a notícia foi que o primeiro-ministro iria reafirmar a confiança na ministra da justiça. João Ferreira marcou pontos ao dar exemplos de como faria diferente de Marcelo, nomeadamente na defesa dos trabalhadores e acabou por tê-lo a reconhecer que é preciso dar mais apoios diretos e estender o prazo do pagamento de moratórias.

5 – Vitorino Silva- André Ventura

Foi o debate das pedras. Vitorino Silva levou pedras de diferentes tamanhos e cores para defender o respeito pela diversidade, defendeu os ciganos e rejeitou pedir a demissão de qualquer ministro. Ventura apareceu muito mais cordato que no seu primeiro debate.

6 – André Ventura – Tiago Mayan Gonçalves

Tiago Mayan Gonçalves e André Ventura mostraram que quase tudo os divide, de tal forma que Mayan recusa qualquer hipótese de Governo que inclua o Chega e André Ventura entende que a Iniciativa Liberal é de esquerda e só quer manter o PS no poder. Mayan voltou a mostrar que não se coíbe e diz tudo o que pensa na cara do adversário.

7 – Ana Gomes-João Ferreira

O principal ponto de discórdia foi a política europeia, num debate em que ambos prometeram ter um exercício presidencial do que tem tido Marcelo. Ana Gomes apelou à convergência à esquerda e disse que tudo pode acontecer na segunda volta, mas João Ferreira não aceita desistir.

8 – Marcelo Rebelo de Sousa - André Ventura

Era um dos debates mais esperados e Marcelo mostrou que estava ali para o combate. Marcou as diferenças à direita e usou Sá Carneiro e os Papas Francisco e João Paulo II para combater um André Ventura a fazer queixinhas do Presidente por este usar conversas tidas em Belém.

9 – Marisa Matias – André Ventura

A candidata do Bloco, que em várias entrevistas já tinha dito que o seu adversário é Ventura, estava convencida que ia derrotar o líder do Chega. Mas perdeu a calma e o debate acabou em trocas de insultos pelas duas partes.

10 – Ana Gomes - André Ventura

Ana Gomes sabia que não podia perder a calma e entrar no jogo do adversário. Acabou por não ser bem ela. Optou por nunca responder diretamente a Ventura, que a confrontou com o apoio a Sócrates, a colaboração de Paulo Pedroso e a militância no MRPP.

11 – Marcelo - Ana Gomes

Com duas estocadas – uma sobre o Chega e outra sobre justiça – o candidato Marcelo colocou Ana Gomes no seu lugar. A candidata conseguiu irritar o Presidente com a referência a Ricardo Salgado, mas o ataque não lhe correu bem. Foi o debate do Estado de Direito contra o direito do Estado.
Comentários
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  • Petervlg
    12 jan, 2021 Trofa 09:16
    Não sou do Chega, nem para lá caminho, um canal de televisão que faz um programa antes de umas eleições a denegrir seja quem for, direita, esquerda ou centro. Para mim BE = Chega = PS = CDS = PCP = PSD, São todos iguais, só se querem governarem-se a eles próprios, bem como o Anonimo de Lisboa
  • Anónimo
    11 jan, 2021 Lisboa 16:12
    O comentador Bruno tem razão. É que uma coisa é ser de direita. Outra é passar a vida a falar de escumalha como o ex-comentador de futebol André Ventura, também conhecido por defender corruptos e vigaristas franceses (como Le Pen) e americanos (como Trump e Bannon) e por ajudar empresas a fugir aos impostos.
  • Anónimo
    11 jan, 2021 Lisboa 16:10
    Como é típico da escumalha das caixas de comentários, o comentador "petervlg" mostra viver numa realidade alternativa ao achar que a SIC ou qualquer outro meio de comunicação social fazem campanha contra o Chega quando na verdade a comunicação social adora levar o ex-comentador futebolístico André Ventura ao colo! Viu-se nos debates a completa parcialidade e incapacidade de moderar ao deixarem o candidato apoiado pela escumalha das caixas de comentários desrespeitar todas as regras de um debate civilizado, inclusive tendo apresentado uma notícia falsa do Diário de Notícias, que na altura teve o adequado direito de resposta da parte dos envolvidos. A comunicação social portuguesa é um nojo e não é muito diferente da americana que gosta de lamber as botas ao presidente demissionário e possível futuro presidiário Donald Trump, que se encontra neste momento no seu bunker privado de comunicações com o exterior.
  • Petervlg
    11 jan, 2021 Trofa 12:01
    Pelos debates realizados por todos os candidatos, depois admiram-se da abstenção. O que se destaca mais, é a campanha realizada pelos média, principalmente pela SIC, contra o Chega
  • Bruno
    10 jan, 2021 aqui 22:36
    Bem sei que a Rádio Renascença está associada à Igreja Católica e, por consequência, aos sectores mais conservadores da sociedade. Mas já começa a enfadar ver tantas notícias neste site sobre a Direita. É particularmente preocupante o destaque que dão ao Chega. Cristo, se votasse, de certeza que não votaria nesse partido.