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Reportagem Covid-19

Misericórdia de Mora reconhece "sobrecarga enorme" para manter unidade sem infeções

06 jan, 2021 - 19:03 • Rosário Silva

Início da vacinação contra a Covid-19 foi um dia “de muita alegria e alívio enorme”, para todos os que conseguiram “manter a unidade negativa”, até agora, diz o provedor da Misericórdia, Manuel Caldas de Almeida.

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Rosária Freixo foi a primeira utente da Unidade de Cuidados Continuados (UCC) da Santa Casa da Misericórdia de Mora (SCMM), no distrito de Évora, a tomar a vacina contra a Covid-19.

Apesar do receio, que afirmou ter, esta mulher de 48 anos, portadora de esclerose múltipla, foi vacinada para mostrar, a quem está nos grupos de risco, que é preciso não ter medo.

“Sim, continuo a ter receio, mas eu tenho esclerose múltipla e já experimentei muita coisa, por isso este é só mais um tratamento para ver se não apanho o vírus”, contou esta utente, residente em Montemor-o-Novo, e por estes dias, em reabilitação na UCC de Mora, para em breve regressar à sua vida normal.

Depois de tomar a vacina confessou sentir-se “ótima”, pedindo a “todas as pessoas” que “não tenham medo” de ser vacinadas.

Rodeada de jornalistas, Rosária Freixo foi a primeira de 30 utentes a tomar a vacina na instituição alentejana, sob o olhar atento das ministras da Saúde, Marta Temido e da Segurança Social, Ana Mendes Godinho.

“Isto é que é uma novidade”, respondeu, sorrindo, quando lhe foi perguntado como se sentia na presença das governantes.

Para o provedor da SCMM, o dia é “de muita alegria”, para todos, utentes e profissionais, e um “alivio enorme”, uma vez que “tem sido uma sobrecarga muito grande, conseguir manter a unidade negativa”, o que, “felizmente conseguimos até agora.”

À Renascença, Manuel Caldas de Almeida revelou que na UCC da instituição a que preside, vão ser vacinadas “à volta de 60 pessoas”, além “das 120 dos lares da Misericórdia”.

O concelho de Mora é um dos 25 concelhos, em Portugal, com um nível extremamente elevado de transmissão de Covid-19, segundo os dados atualizados na ultima segunda-feira pela Direção-Geral da Saúde (DGS), sobre a situação epidemiológica a nível local.

De resto, no Alentejo encontram-se as cinco piores situações do país e este concelho alentejano é o segundo dessa lista, a seguir a Mourão, também no distrito de Évora.

“Sim, a situação está muito preocupante”, garante o provedor da SCMM, mostrando-se convicto de “que ainda vai ficar mais, na próxima semana, nos próximos 10 dias”.

“Há uma hipótese de chegar ao fim da guerra, mas esta batalha não terminou, por isso estamos a pedir às pessoas uma atenção extrema nas próximas semanas até à segunda dose da vacina”, adianta, Manuel Caldas de Almeida, médico de profissão.

Este município de pequena dimensão tem vários surtos ativos e o maior número de casos de Covid-19 por 100 mil habitantes.

O presidente da Câmara de Mora, Luis Simão, não esconde a preocupação.

“Infelizmente, Mora é um dos concelhos mais atingidos por esta pandemia”, lamenta o autarca que define a situação como “complicada e complexa”.

Além dos surtos que atingiram dois lares de Mora, Luís Simão revela que se aguardam, para hoje, os resultados de testes realizados num terceiro lar, na freguesia de Pavia. “Não se prevê nada de bom”, desabafa, em declarações aos jornalistas.

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