Tempo
|
A+ / A-

Pandemia

Covid-19. Venezuela está de novo em "quarentena radical" preventiva

04 jan, 2021 - 21:09 • Lusa

Restrições surgem depois de o Governo venezuelano ter flexibilizado a quarentena a 1 de dezembro, mês em que, além das festividades de Natal e de fim de ano, decorreram eleições legislativas e uma consulta popular organizada pela oposição.

A+ / A-

Veja também:


A Venezuela retomou esta segunda-feira a “quarentena radical” preventiva da Covid-19, restringindo a circulação de viaturas e de pessoas e limitando a atividade comercial nos setores básicos, devido ao ligeiro aumento de casos confirmados do novo coronavírus no país.

As restrições surgem depois de o Governo venezuelano ter flexibilizado a quarentena a 1 de dezembro, mês em que além das festividades de natal e de fim de ano, decorreram ainda as eleições legislativas e uma consulta popular organizada pela oposição.

Como parte do confinamento “radical”, o primeiro de 2021, o Metropolitano de Caracas permitiu apenas o acesso aos trabalhadores dos setores básicos (saúde, alimentação, serviços e segurança) impedindo os que não apresentavam um salvo-conduto.

Vários utilizadores queixaram-se aos jornalistas que os terminais de autocarros foram encerrados e que a Guarda Nacional Bolivariana (polícia militar) limitou o acesso de viaturas à capital, desde as localidades vizinhas de Guarenas e Guatire, cidade-dormitório de profissionais que trabalham em Caracas, obrigando algumas pessoas a caminhar a pé vários quilómetros.

Com as novas restrições os bancos estão impedidos de abrir as portas mesmo em horário reduzido e os organismos públicos não prestarão qualquer serviço.

Por seu lado, a Igreja Católica anunciou que devido à nova quarentena a peregrinação n.º 165 da Divina Pastora, que tradicionalmente tem lugar a cada 14 de janeiro, será virtual, com transmissão através de várias plataformas e redes sociais, com atividades desde 6 de janeiro.

Na sua conta na rede social Twitter, a vice-Presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez explicou que a quarentena seguirá “o bem sucedido método” venezuelano de sete dias de radicalização seguido por sete dias de flexibilização.

A oposição venezuelana já reagiu às novas restrições e acusou o Presidente Nicolás Maduro de “decretar quarentena quando lhe convém” e que a flexibilização de dezembro serviu apenas “para fazer campanha pela farsa eleitoral (eleições legislativas de 06 de dezembro) e distrair a atenção pública dos problemas do país.

“Segundo a tese do regime, o coronavírus cessou em dezembro e reativou-se em janeiro. Isto é a atuação de um regime que não se preocupa com a vida dos venezuelanos e as suas decisões são motivadas por interesses políticos”, disse o deputado Omar González aos jornalistas.

Segundo a oposição, o regime “pretende desmobilizar política e socialmente os venezuelanos com a quarentena”, mas por outro lado “permitem atos muito participados” de apoio a políticos pró-governamentais.

A oposição insiste que o sistema de saúde venezuelano está “totalmente destruído” e que não foram feitos os investimentos necessários para dotar os hospitais de equipamentos de biossegurança.

As forças da oposição consideram ainda que a falta de condições e de segurança para médicos e enfermeiros levou a que “300 trabalhadores da saúde tenham sido infetados e falecido por coronavírus” desde o início da pandemia.

Na Venezuela estão confirmados 114.230 casos de pacientes com a Covid-19 e 1.034 mortes associadas à doença. Entretanto 108.268 pessoas recuperaram da doença.

A Venezuela está desde 13 de março de 2020 em estado de alerta, o que permite ao executivo decretar “decisões drásticas” para combater a pandemia.

A pandemia de Covid-19 provocou pelo menos 1.843.631 mortos resultantes de mais de 85 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Destaques V+