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​Farfetch quer vender em 2030 mais bens de luxo reutilizados do que novos

22 dez, 2020 - 06:30 • Cristina Nascimento

Plataforma de sucesso criada por um português, que cresceu durante a pandemia, quer tornar-se cada vez mais amiga do ambiente. À Renascença, responsável de operações revela que a empresa vai atingir “lucros operacionais já no último trimestre deste ano, antes do esperado pelos mercados”.

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A Farfetch, plataforma informática de venda de bens de luxo, quer, em 2030, vender mais artigos em segunda mão ou recondicionados do que novos.

A meta é estabelecida pela empresa criada por um português, considerada um exemplo de sucesso, e que recentemente traçou objetivos para 10 anos que ajudem a ser mais amiga do ambiente.

Em entrevista à Renascença, o responsável de operações da Farfetch, Luís Teixeira, considera que há abertura dos clientes para mudar o estilo de consumo e que a plataforma pode ter um papel relevante nessa nova abordagem.

“É muito cedo para percebermos como a evolução vai ser feita, mas acreditamos que cada vez mais há uma consciência e uma necessidade de que o mundo tem de mudar e que se tem de reduzir desperdício”, diz, acrescentado que essa “evolução vai ser forçada por ‘players’ como a Farfetch, de uma forma em que as pessoas pensem diferente e sejam inspiradas para fazer o bem”.

Ao contrário de muitas empresas, a Farfetch cresceu durante os tempos de pandemia e, nos últimos dois trimestres, ganharam 900 mil clientes. O segredo? A forma como a plataforma e a empresa está estruturada.

“O facto de processarmos encomendas em mais de dois mil pontos de stock levou a que quando houve picos em alguns países, em alguns pontos de stock, a nossa tecnologia e a forma como temos a plataforma montada permitiu encontrar alternativas em pontos de stock que não foram afetados”, explica.

Luis Teixeira adianta que a “Farfetch tem mais de cinco mil pessoas distribuídas por 14 localizações em todo o mundo”, sendo “uma empresa completamente global com uma experiência localizada para os utilizadores da nossa plataforma”.

“Estávamos mais preparados para os desafios que tivemos ao longo deste ano. Foi muito fácil colocarmos as pessoas a trabalhar em casa, porque isso já era algo que era usado como um benefício”, revela o responsável de operações da empresa.

Crescimento da empresa vs. prejuízos

O crescimento durante o tempo Covid-19 e o trabalho feito ao longo dos anos vai permitir que a empresa alcance “lucros operacionais já no último trimestre deste ano, antes do esperado pelos mercados”.

No terceiro trimestre de 2020, segundo dados divulgados pela própria empresa, a Farfetch registou prejuízos de 537 milhões de euros, cinco vezes mais do que no mesmo período de 2019.

Luis Teixeira explica que “são prejuízos virtuais”, relacionados com o tipo de investimento da empresa, ligado à bolsa de Nova Iorque.

“As empresas têm diferentes mecanismos de procurar investimentos. A Farfetch escolheu como mecanismo de financiamento o método de obrigações convertíveis”, explica, dando o seguinte exemplo: “se houver um investidor que quer investir mil dólares, e vamos supor que as ações estão a 10 dólares, significaria que o investidor colocaria os mil dólares na Farfetch e automaticamente no nosso balanço fica uma obrigação de devolver ao fim de ‘x’ tempo aquele investidor 100 ações”, começa por dizer.

“É uma obrigação que temos perante aquele investidor que tem de estar no balanço em termos de dívida: 100 ações que valem 10 dólares cada uma. Se no trimestre seguinte, as ações passarem de 10 dólares para 20 dólares, automaticamente a nossa responsabilidade perante aquele investidor passa a ser de dois mil dólares”, detalha, reconhecendo que este é um mecanismo que “não seja comum em Portugal”.

Luis Teixeira assegura que a saúde da empresa é boa e recorda que, estando cotados na bolsa de Nova Iorque, “é escrutinada ao mais ínfimo detalhe por todos os analistas”.

“Se algo de muito errado acontecesse, as ações não teriam multiplicado da forma como multiplicaram ao longo deste ano”, referindo que, “no primeiro dia de janeiro de 2020 as ações estavam a valer cerca de 10 dólares e ontem [10 de dezembro] fecharam acima dos 60 dólares”.

Para este responsável da empresa, o futuro é risonho, dada “uma aceleração do online”. “Sabemos que metade dos clientes vão continuar a comprar a maior parte das suas compras online”, diz Luis Teixeira.

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