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D. Manuel Clemente

Eduardo Lourenço fez-nos "ultrapassar limitações mentais que tínhamos posto a nós próprios”

02 dez, 2020 - 12:28 • Marta Grosso , Aura Miguel (entrevista)

Cardeal Patriarca de Lisboa diz que o ensaísta partiu em paz, o que “também nos deixa em paz, porque uma vida assim resolvida também nos ajuda a resolver a todos”.

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A visão abrangente que Eduardo Lourenço tinha sobre Portugal ajudou os portugueses a mudarem a perspetiva sobre si próprios, diz D. Manuel Clemente à Renascença no dia em que se realizou o funeral do ensaísta.

“Eduardo Lourenço deixa-nos um legado grande de quase um século de vida – vivida, convivida, pensada e que foi compartilhando connosco, olhando-nos a nós, portugueses, no contexto mundial, fazendo-nos ultrapassar limitações mentais que tínhamos posto a nós próprios”, afirma.

E fê-lo “analisando-nos no passado, no presente e projetando-nos no futuro em termos portugueses, europeus, mundiais”, acrescentou.

O Cardeal Patriarca de Lisboa lembra ainda “a matriz em que foi criado, na raia de Espanha em que nasceu, em São Pedro de Rio Seco”, que sempre manteve, e a “religiosidade profunda” transmitida pela mãe e “de que nunca se desligou”.

“Faleceu agora, em paz, na unidade de cuidados paliativos que o assistiu nos últimos tempos e também nos deixa em paz, porque uma vida assim resolvida também nos ajuda a resolver a todos”, conclui D. Manuel Clemente que concelebrou com D. Tolentino Mendonça a missa de corpo presente do ensaísta.

Eduardo Lourenço morreu na terça-feira, aos 97 anos de idade. Esta quarta-feira é dia de luto nacional.

Eduardo Lourenço, o maior ensaísta português do século XX
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