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Paddy Cosgrave e os milhões que Lisboa paga pela Web Summit. “É importante que a oposição faça perguntas difíceis”

26 nov, 2020 - 12:00 • José Pedro Frazão

O cofundador da grande conferência mundial de tecnologia acompanha as polémicas mas remete-as para o debate político interno. O irlandês dá por certa a ampliação da FIL no espaço de dois anos para receber o dobro dos participantes.

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"Procuro não envolver-me na política interna de Portugal"
"Procuro não envolver-me na política interna de Portugal"

O irlandês Paddy Cosgrave, cofundador da Web Summit, diz compreender a posição da oposição partidária em Lisboa que contesta o pagamento de 11 milhões de euros à empresa que organiza o evento, quando este ano a cimeira será 100% virtual.

A verba faz parte do contrato de longa duração assinado em 2018 com os parceiros portugueses, num valor anual aproximado de 11 milhões de euros até 2028, dos quais 3 milhões são transferidos pela Câmara de Lisboa e a restante parte garantida pelo Governo.

Confrontado com a polémica que tem gerado este gasto, sobretudo num ano em que não há retorno associado à realização presencial da Web Summit, Paddy Cosgrave diz não se intrometer no debate político português, mas reconhece a importância da crítica da oposição a Fernando Medina.

"Penso que é importante que a oposição levante questões dessa natureza. É uma democracia. E é importante que a oposição esteja sempre ativa e a fazer perguntas difíceis. Mas ao fim e ao cabo é política interna. E procuro não me envolver na política interna de Portugal. Deixo-a para a oposição e para o governo e que façam um bom debate. Penso que uma função importante da democracia é que esse tipo de debate aconteça", afirma numa entrevista à Renascença registada em Lisboa.

A Web Summit 2020 realiza-se de 2 a 4 de Novembro de forma virtual, esperando um máximo de 120 mil participantes pela internet. Paddy Cosgrave assegura que é possível estabelecer um conjunto de contactos informais entre os portadores de bilhete através das suas plataformas.

Mais Portugal, mais cinema

O cofundador do evento realça a criação de um canal online especificamente sobre Portugal na edição deste ano e promete aumentar a projeção de imagens sobre o país para além das paisagens portuguesas mais conhecidas em todo o mundo. A possível criação de um palco Portugal na versão normal da Web Summit vai ter que esperar pela ampliação da FIL, no Parque das Nações, que Paddy Cosgrave dá como certa, tendo por base o contrato de parceria, apesar das dúvidas expressas por alguns sectores na capital portuguesa.

"Em 2022, o evento terá o dobro do tamanho. Tenho a certeza disso. Esperamos receber 100 mil, talvez até 140 mil pessoas em Lisboa. Espero que tenhamos quartos de hotel e alojamentos suficientes, mas seria incrível. A cidade já está bastante movimentada durante a Web Summit, mas seria ótimo receber ainda mais pessoas", afirma o irlandês, acreditando que a próxima conferência regressará à FIL em novembro de 2021.

O próximo ano poderá incluir mais figuras ligadas ao cinema, servindo a edição deste ano como aperitivo, com a presença de realizadores e atores como Ridley Scott, Bryan Cranston, Jessica Alba ou Chris Evans.

"Novembro tem sido tradicionalmente uma altura muito difícil para conseguir realizadores e atores de cinema. Este é o primeiro ano que colocamos muita ênfase no tema. Adoraria montar um palco sobre cinema e seria ótimo ter estrelas de cinema e realizadores de filmes a andar pelas ruas de Lisboa em 2021", antecipa Paddy Cosgrave em entrevista à Renascença, dias antes do arranque de uma edição 100% virtual.

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  • Filipe
    26 nov, 2020 évora 19:14
    Milhares de família a pão e água e estes tipos continuam a parasitar o Mundo .