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Diego Maradona morre aos 60 anos

25 nov, 2020 - 16:18 • Redação

Antigo futebolista argentino, considerado um dos melhores jogadores de todos os tempos, sofreu uma paragem cardiorrespiratória.

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Da glória em campo às polémicas. Como Maradona marcou o futebol mundial
Da glória em campo às polémicas. Como Maradona marcou o futebol mundial

Diego Armando Maradona, considerado por muitos como o melhor jogador da história do futebol, morreu esta quarta-feira aos 60 anos, confirmou a Federação de Futebol Argentino (AFA).

O antigo futebolista argentino sofreu um ataque cardíaco, adianta a agência de notícias Reuters.

O Presidente da Argentina, Alberto Fernández, declarou três dias de luto nacional.

"Devido ao falecimento de Diego Armando Maradona, o presidente da nação decretara três dias de luto nacional a partir da data", pode ler-se em comunicado do chefe de Estado argentino.

Maradona já tinha apresentado sinais preocupantes no início de novembro, quando teve de ser internado por anemia, desidratação e baixo estado anímica.

No hospital, foi-lhe detetado um coágulo no cérebro (hematoma subdural) e teve de ser operado de urgência.

A 12 de novembro, o antigo internacional argentino teve alta médica e foi transportado, de ambulância, para prosseguir tratamento para a adição ao álcool, para uma casa nos arredores de Buenos Aires, onde viria a falecer, esta quarta-feira.

"Já posso morrer tranquilo". O encontro de Maradona com o Papa
Vídeo publicado originalmente a 5 de setembro de 2014

Dos pés apaixonantes...


Poucos jogadores na história terão tido dimensão mediática semelhante a Diego Armando Maradona, para muitos considerados o melhor futebolista de todos os tempos.

"El Pibe" nasceu para o futebol no Juniors Argentinos, clube dos arredores de Buenos Aires. Com apenas 16 anos, foi lançado no futebol profissional e, aos 17, foi pela primeira vez convocado para a seleção da Argentina.

O facto de não ter sido chamado para o Mundial de 1978, que causou polémica, não o deitou abaixo e, no ano seguinte, Maradona foi eleito o melhor jogador da América do Sul. Feito que repetiu em 1980.

Entrou em cena o Boca Juniors, um dos dois gigantes do futebol argentino, que passava por uma seca de cinco anos sem conquistar títulos. Maradona, que sempre fora adepto "xeneize", não hesitou em aceitar. Em 1981, conduziu o Boca à conquista do campeonato metropolitano.

Pouco antes do Mundial 1982, o Barcelona acertou a contratação de Maradona por um valor recorde de mais de sete milhões de dólares.

Diego Maradona chegou ao Barcelona, que vivia uma crise de títulos desde os anos 50, como um herói, mas a passagem pela Catalunha não foi feliz.

Na primeira temporada, a dezembro em 1982, contraiu hepatite e ficou afastado dos relvados durante três meses. Não obstante, ainda foi a tempo de decidir a final da Taça do Rei, frente ao Real Madrid, com dois golos. Foi aplaudido de pé pelos adeptos rivais. Logo no início da segunda época de "blaugrana", sofreu uma grave lesão que o deixou quase quatro meses sem jogar futebol.

Sem campeonatos conquistados em dois anos e com má relação com a direção do Barcelona, Maradona deixou o clube catalão pela porta pequena e foi recambiado para um pequeno clube italiano chamado Nápoles, que embora histórico tinha um palmarés muito parco.

Foi no Sul de Itália que Maradona se fez lenda, ao guiar o Nápoles ao ambicionado título nacional, derrotando as equipas ricas do Norte, como o AC Milan, Inter de Milão ou Juventus. E não foi só um, mas dois, além de uma Taça e de uma Supertaça.

... à "mão de Deus"


Durante a sua carreira Maradona marcou centenas de golos, mas este é um dos mais polémicos e emblemáticos da história do futebol. A vítima foi a Inglaterra e o local do “crime” foi o Estádio Azteza, no México, em pleno Campeonato do Mundo de 1986.

Era a primeira vez que britânicos e argentinos se defrontavam desde a guerra das Malvinas e “El Pibe” vingou no campo de futebol a derrota do seu país, ao marcar um golo com a mão.

"Foi a mão de Deus", disse Maradona após o final da partida, uma frase que ficou para a história do futebol.

No mesmo jogo, "El Pibe" soltou o génio e fintou meia equipa inglesa, para marcar um dos melhores golos de sempre.

A Argentina eliminou a Inglaterra e conquistou esse Mundial de 1986, ao derrotar na final a poderosa Alemanha, de Schumacher, Rummenigge, Lothar Matthaus e Rudi Voller.

A Argentina era "Maradona mais dez", mas quatro anos depois houve lágrimas. No Mundial Itália 90, o génio de "El Pibe" não foi suficiente para voltar derrotar a Alemanha na final e o "número 10" chorou de tristeza.

A vida do homem que espalhou arte nos relvados com a bola nos pés, foi polémica fora de campo e repleta de excessos. Foi afastado do Mundial de 1994, nos Estados Unidos, depois de ter sido apanhado nas malhas do doping. Teve problemas com as drogas e o álcool e chegou a fazer uma desintoxicação em Cuba, onde ficou amigo do presidente Fidel Castro.

"Se eu morrer, quero nascer de novo e quero ser jogador de futebol. E eu quero ser Diego Armando Maradona novamente. Sou um jogador que deu alegria às pessoas e isso é suficiente para mim e tenho o suficiente", disse um dia Maradona.

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  • Maria
    25 nov, 2020 Palmela 17:08
    Maradona" o cao da minha vizinha tinha o nome dele!
  • Maria
    25 nov, 2020 Palmela 17:05
    Este sim e famoso!