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Tensão UE-Turquia

UE condena proposta de Erdogan para estados separados em Chipre

16 nov, 2020 - 23:13 • Lusa

De visita este domingo ao bairro de Varosha, do lado turco da ilha, Erdogan sugeriu a criação de dois Estados para resolver a divisão de Chipre.

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A Comissão Europeia condenou esta segunda-feira as declarações proferidas no domingo pelo Presidente da Turquia, que defendeu a criação de dois Estados como solução para a ilha dividida de Chipre.

Bruxelas exprimiu, também, o seu descontentamento pela visita de Recep Tayyip Erdogan ao bairro de Varosha, estabelecido desde há 46 anos como zona militar e considerado decisivo para a solução deste conflito.

"Estes últimos factos somam-se a uma série de ações da Turquia, que são motivo de descontentamento para a União Europeia", indicou Peter Stano, porta-voz para a política externa da Comissão Europeia.

No domingo, Erdogan percorreu a zona de Varosha ao lado do seu chefe da diplomacia, Mevlut Cavusoglu, e do líder do Partido de Ação Nacionalista (MHP), Devlet Bahceli, originando críticas dos Governo da Grécia e da República de Chipre (a parte sul da ilha dividida e internacionalmente reconhecido).

Em outubro, o presidente da comunidade cipriota turca abriu este bairro costeiro, em Famagusta, apesar das diversas resoluções da ONU que estabelecem que esta zona apenas pode ser repovoada pelos seus antigos habitantes, na maioria cipriotas gregos, quando ocorreu a invasão do terço norte da ilha pelas tropas turcas em 1974.

O Alto Representante para a Política Externa da União Europeia, Josep Borrell, lamentou no domingo a atuação de Erdogan e as suas declarações sobre dois Estados em Chipre, em alternativa à solução bicomunal e bizonal estabelecida pelas Nações Unidas.

A vista de Erdogan ocorreu num momento de tensão com Bruxelas devido às prospeções de hidrocarbonetos promovidas pela Turquia em águas do Mediterrâneo oriental que Atenas e Nicósia consideram pertencer-lhes.

Em setembro, os chefes de Estado e de governo da União ameaçaram impor sanções à Turquia caso prossiga estas atividades.

Ao ser questionado se a última atuação do Presidente turco teria consequências, Stano afirmou que "os líderes vão rever, nas suas reuniões, todas as ações da Turquia, e em dezembro decidirão que género de medidas serão adotadas pela UE com base em todos estes acontecimentos".

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