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Presidente da CEP. A Igreja "procurou ser sinal de esperança" durante a pandemia

11 nov, 2020 - 11:30 • Ana Lisboa

D. José Ornelas abriu, esta quarta-feira, os trabalhos da assembleia plenária da CEP. Falou da pandemia e, noutro plano, criticou a escolha deste momento para aprovar a legalização da eutanásia, sublinhando, ainda, que não está "pronto para condenar ninguém pelas atitudes tomadas em consequência da dor".

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A assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, que decorre entre esta quarta-feira e sábado em Fátima, reúne-se pela primeira vez de forma "parcialmente presencial", mas maioritariamente online, "para permitir uma participação segura", tendo em conta a "preocupante situação de pandemia em que se encontra o país e o mundo", sublinha o presidente da CEP.

No seu discurso de abertura, D. José Ornelas afirmou que o encontro vai refletir "sobre a realidade e os desafios do presente e as perspetivas de futuro, que a crise representa para toda a Igreja, concretamente para a Igreja em Portugal".

“Durante os meses passados - certamente com falhas e de forma que deve sempre ser melhorada - a Igreja em Portugal procurou ser sinal de esperança. Nunca se fechou com medo nem comodismo, mas tomou as medidas necessárias para evitar a expansão da pandemia, afirmando, na palavra e no comportamento, que é possível viver e celebrar juntos, com a contenção e as medidas necessárias, reafirmando a própria fé, traduzida na atitude responsável de cuidar uns dos outros e do mundo no seu conjunto", afirmou.

O também bispo de Setúbal admitiu ser "motivo de particular esperança que, neste contexto, inúmeros jovens tenham despertado para uma participação ativa na vida das comunidades (...) com especial relevo no acolhimento, nas plataformas de redes sociais e na assistência a quem precisa".

D. José Ornelas aproveitou a ocasião para falar sobre a eutanásia. “Não encontro lógica no facto de se escolher precisamente este momento [de pandemia] para dizer aos que tocam o mais fundo da dor e do abandono: tem coragem, ajudamos-te a morrer; estamos a caminho de aprovar uma opção 3 que aceita a tua eutanásia".

O presidente da CEP admite respeitar "profundamente o drama de quem sofre” e diz “não estar pronto para condenar ninguém pelas atitudes tomadas em consequência da dor, da falta de sentido, de condições e de esperança: aquilo de que essas pessoas precisam não é de mais condenação nem de estigmas".

Mas constata que "não são as soluções facilitadoras e 'legalizadas' que ajudarão a criar uma sociedade mais humana. O que é preciso é acompanhar e oferecer condições e razões para viver", aponta.

Nesse sentido, D. José Ornelas criticou o chumbo do referendo à despenalização da eutanásia, alegando que esta decisão do Parlamento "não abona a nossa democracia, nem a promoção de uma cidadania que se quer participativa e interventiva".

O bispo de Setúbal aproveitou ainda para falar sobre os recentes atentados na Europa que considerou serem "a todos os títulos condenáveis, para além do que possam ser as motivações daqueles que os praticam, bem como as densas nuvens de conflitualidade internacional que pairam sobre as relações políticas e económicas entre as nações".

Na sua intervenção, lembrou a última Encíclica do Papa Francisco "Fratelli Tutti", um texto, referiu, "de caráter eminentemente social", que deve ser "uma referência e um indicador de caminhos concretos para evitar o curso conflituoso e destrutivo que leva a humanidade, causando miséria, ansiedade e revolta".

A terminar, recordou os dois bispos de Viana do Castelo que partiram há pouco tempo: D. Anacleto de Oliveira, num acidente de viação, e ainda D. José Augusto Pedreira.

No sábado, último dia desta assembleia plenária dos bispos, será celebrada uma missa, em Fátima, pelas 11h00, lembrando todos aqueles que foram vítimas desta pandemia.

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