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Padre ortodoxo ferido a tiro em Lyon, um suspeito detido

31 out, 2020 - 16:19 • Redação com Reuters

Fonte da polícia diz que padre grego sofreu ferimentos graves.

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Um padre ortodoxo grego foi baleado este sábado na cidade francesa de Lyon, adianta fonte da polícia citada pela Reuters.

O padre foi baleado duas vezes por volta das 16h locais (15h em Lisboa) frente à sua igreja, indica a mesma fonte, dizendo que a vítima se encontra em estado grave.

Pelas 19h, fonte policial adiantou à Reuters que um suspeito foi detido, sem confirmar se se trata do atacante ou outra pessoa de interesse na investigação ao caso.

O suspeito do tiroteio fugiu do local do crime, não sendo ainda claras quais as motivações do ataque.

Segundo uma outra fonte da polícia, o padre de nacionalidade grega conseguiu dizer aos serviços de emergência que o transportaram para o hospital que não reconheceu a pessoa que o atacou.

No Twitter, a polícia de Lyon começou por anunciar uma "operação em curso na rua St. Lazare", com "perímetro de segurança ativo", pedindo à população que "evite a zona".

Também no Twitter, o padre Vincent Feroldi expressou "solidariedade" para com o seu "irmão padre da igreja ortodoxa grega da rua Père Antoine Chevrier", uma perpendicular da rua St. Lazare, cortada ao trânsito pelas forças de segurança.

O ataque tem lugar dois dias depois de um homem ter decapitado uma mulher e matado duas outras pessoas numa igreja em Nice, no sul de França, enquanto gritava "Allahu Akbar" ("Deus é grande").

Duas semanas antes, um professor de História de um subúrbio de Paris foi decapitado por um extremista checheno de 18 anos, alegadamente depois de ter mostrado caricaturas do profeta Maomé à sua turma numa aula sobre liberdade de expressão.

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Nos últimos dias, o Governo francês tinha avisado que o país poderia lidar com mais ataques de radicais islâmicos. Ontem, o Presidente Macron destacou milhares de soldados para proteger locais vulneráveis de França como escolas e locais de culto, na véspera do feriado cristão de Todos os Santos.

O ataque de há dois dias em Nice ocorreu no dia em que os muçulmanos em todo o mundo celebram o aniversário do profeta Maomé. Em vários países islâmicos tem havido protestos contra a publicação de caricaturas de Maomé em França.

As motivações do ataque deste sábado em Lyon ainda não são conhecidas. O primeiro-ministro francês, Jean Castex, que estava em visita oficial a Rouen à hora do incidente, já regressou a Paris para "avaliar a situação".

Horas antes do tiroteio, a "Al-Jazeera" publicou uma entrevista com Macron na qual o chefe de Estado diz compreender que os cartoons de Maomé possam chocar algumas pessoas, mas que nada justifica atos de violência como aqueles que têm tido lugar em França.

Na mesma entrevista, o Presidente francês esclareceu que nunca apoiou a publicação de caricaturas que possam ser vistas como um insulto por alguns muçulmanos, mas sim que defendeu e continuará a defender o direito à liberdade de expressão.

"Eu compreendo e respeito o facto de haver pessoas que podem ficar chocadas ao ver estas caricaturas, mas nunca aceitarei qualquer justificação para atos de violência motivados por essas caricaturas."

[atualizado às 17h30]

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