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Entrevista Renascença

Luís Filipe Vieira: "Se eu fosse megalómano teria feito uma equipa muito superior"

27 out, 2020 - 10:25 • João Fonseca

O candidato pela lista A e atual presidente do Benfica reafirma a intenção de uma aposta forte no plano desportivo, mas sem fugir ao rigor financeiro imposto pelas possibilidades do clube e pela crise no setor provocada pela pandemia. Vieira não equaciona vendas de Darwin Nuñez e Waldschmidt e remete para as cláusulas de rescisão.

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Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica e candidato às eleições de quarta-feira faz do aumento do investimento desportivo - com o objetivo de alcançar mais títulos e de aproximar o Benfica do muito desejado título europeu - uma das bandeiras da sua campanha.

Em entrevista exclusiva a Bola Branca, o candidato pela lista A reafirma o propósito expresso no seu programa, mas avisa que não colocará em risco a linha que tem seguido e que é sustentada pelos bons resultados financeiros alcançados na última década. Vieira admite que seria fácil seguir esse rumo e deixar para próximas direções a resolução dos problemas que daí adviriam, mas esse regresso ao passado é um caminho que recusa percorrer.

"Se eu fosse um megalómano, como alguns que já passaram por esta casa, era muito fácil. Fazendo uma equipa muito superior, hipotecando tudo e depois fechava a porta. Quem viesse a seguir que a abrisse e resolvesse", afirma o dirigente, convicto de que esse seria um retrocesso para o emblema da Luz.

As contratações sonantes de Vertonghen, Otamendi, Everton, Waldschmidt e Darwin, internacionais pelos seus países, são exemplos do desejo de reforçar do plantel encarnado, aproveitando o momento atual de maior fragilidade no mercado e da disponibilidade financeira do clube.

A esse propósito, Luís Filipe Vieira duvida que qualquer deles, em especial o alemão e o uruguaio, jogadores que se têm destacado neste arranque de temporada, possam sair rapidamente para outras ligas.

"As cláusulas são claras e não vale a pena falar disso, porque não temos intenção de vender nenhum desses jogadores. Mas se alguém os quiser levar, só há um caminho. Se chegarem cá como foi com o João Félix, não podemos fazer nada", garante.

Sobre o agora jogador do Atlético de Madrid, Vieira lembra a concretização de um bom negócio financeiramente, mas concorda que "desportivamente pode não ser o que todos esperavam". Contudo, e apesar dos vários interessados, a decisão quanto ao clube de destino "foi do jogador" formado no Seixal.

Ainda no plano dos reforços, o nome de Lucas Veríssimo, central brasileiro do Santos continua a ser associado ao Benfica e apontado à Luz na reabertura do mercado de transferências. Pinto da Costa disse publicamente que o FC Porto podia ter contratado o defesa, Vieira responde que este foi um processo em que os encarnados estiveram sempre à frente.

Recusando-se a avançar mais sobre o tema, ironiza com esta declaração: "Se o FC Porto não o quis, ainda bem".

O candidato pela lista A, caso vença as eleições, admite reavaliar a necessidade de reforçar o plantel. "Em novembro teremos uma reunião", que poderá servir para colmatar alguma lacuna no grupo às ordens de Jorge Jesus, sem esquecer que recentemente André Almeida lesionou-se com gravidade e não jogará mais esta temporada. São situações que a SAD irá analisar, olhando ainda para aquilo que o mercado possa oferecer como oportunidade.

Luís Filipe Vieira está satisfeito com o regresso de Jorge Jesus, rejeitando qualquer pergunta relacionada com um eventual plano B, caso o treinador tivesse ficado no Brasil. O dirigente garante que, apesar dos muitos nomes falados, o selecionador Fernando Santos nunca chegou a ser equacionado.

Vieira ainda não esqueceu o dia em que acordou com o atual selecionador a sua saída da Luz, mas entende que este nunca seria o momento para um regresso à Luz até porque o técnico nacional "está a fazer um trabalho espetacular e não iria aceitar nenhum desafio".

Nesta entrevista, o dirigente recusa culpar Pedro Proença pela demora no regresso de adeptos aos estádios, mas não compreende como são permitidos nos jogos da UEFA e noutros eventos desportivos, como a Fórmula 1, no nosso país.

"Não estamos felizes por não haver adeptos no estádio, quando depois vimos maus exemplos. Não é um mau trabalho de Pedro Proença, mas passa muito pelo entendimento entre a liga e a federação, seja com estes ou com outros homens", explica. Aliás, é ainda neste contexto de aproximação entre as duas entidades que Vieira projeta a resolução da atual guerra aberta entre Sporting e FC Porto: "Alguém tem que obrigar a que se entendam, a solução passa pela federação e pela liga".

As eleições do Benfica estão marcadas para esta quarta-feira. Vieira enfrente, nas urnas, João Noronha Lopes, Rui Gomes da Silva e Bruno Costa Carvalho.

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