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Terra Santa

Papa nomeia novo patriarca latino de Jerusalém, quatro anos depois

24 out, 2020 - 17:02 • Filipe d'Avillez

Depois de dois patriarcas árabes, o Patriarcado volta a ser ocupado por um italiano. Pierbattista Pizzaballa está em Jerusalém desde 1990 e há quatro anos que desempenhava o papel de administrador apostólico, na ausência de patriarca.

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O Papa Francisco nomeou este sábado um novo patriarca latino de Jerusalém, depois de quatro anos em que a posição esteve desocupada.

O novo patriarca está já familiarizado com a responsabilidade. Pierbattista Pizzaballa já desempenhava a função de administrador apostólico do Patriarcado desde 2016, quando o anterior patriarca, Fouad Twal, resignou por ter atingido o limite de idade.

Pizzaballa era, por isso, uma escolha natural para ser nomeado patriarca, mas ainda assim foram precisos quatro anos para que a decisão final fosse tomada pelo Papa Francisco.

O italiano, natural de Bergamo, tem 55 anos. Sucede a Fouad Twal, que por sua vez sucedeu a Michel Sabbah. Estes foram os únicos dois patriarcas árabes de uma Igreja que serve sobretudo árabes católicos de rito latino que vivem na zona da Terra Santa, incluindo em Israel, Palestina, Jordânia e Chipre.

A maioria do clero do patriarcado também é árabe e a decisão de regressar a um patriarca de origem europeia poderá não ter sido pacífica, explicando-se assim o atraso na nomeação. Uma fonte ecclesiástica do Patriarcado Latino, que prefere não ser identificada, diz à Renascença que a nomeação de Pizzaballa será aceite, mas com alguma amargura, pela maioria dos fiéis e clero árabe, que esperavam poder ter um dos seus na posição.

Pierbattista Pizzaballa, porém, vive já há mais anos em Jerusalém do que viveu na sua Itália natal. O novo patriarca entrou para a ordem franciscana, que tem há vários séculos representa a Igreja Católica na Terra Santa, nomeadamente na custódia dos lugares santos.

Foi em 1990 que foi viver para a Terra Santa, ingressando assim na custódia. Foi lá que completou os estudos e dedicou-se depois a uma vida de docência académica e de serviço no terreno junto dos fiéis e dos lugares santos que ocupam um lugar extremamente importante na vida espiritual e cultural da Igreja Católica e da Cristandade em geral.

O Patriarcado Latino da Terra Santa foi estabelecido em 1099, em plenas cruzadas, mas durou muito pouco tempo no terreno, menos de 100 anos. Forçados a deslocar-se para Acre, ainda em Jerusalém, em 1187, em 1291 os representantes do Patriarcado tiveram novamente de fugir para o Chipre.

Durante alguns séculos o título tornou-se apenas honorário, não estando associado a nenhum cargo real, mas em 1847 o Papa restaurou o Patriarcado Latino em Jerusalém.

O Patriarca Latino tem responsabilidade direta por todos os católicos de rito latino da sua zona geográfica, que atualmente são cerca de 160 mil. A maioria dos católicos da região são de rito oriental e têm a sua própria hierarquia. Para além do Patriarca Latino, há mais três confissões cristãs que têm patriarcas de Jerusalém, o ortodoxo, o arménio e o da Igreja Melquita, uma igreja católica de rito oriental.

O patriarca latino de Jerusalém é um de apenas quatro patriarcas da igreja católica de rito latino com jurisdição efetiva. Os outros são o patriarca de Veneza, o patriarca das Índias Orientais e o patriarca de Lisboa. Tradicionalmente o Papa ostentava também o título Patriarca do Ocidente, mas Bento XVI extinguiu-o durante o seu pontificado.

[Notícia corrigida a 26/10]

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