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Portuguesas inventam "comida do futuro“. "Orangebee” venceu prémio europeu

26 out, 2020 - 14:13 • Olímpia Mairos

Preparado alimentar, feito à base de aquafaba e pólen apícola e que reutiliza desperdícios da indústria alimentar, conquista o primeiro prémio na maior competição europeia em eco-inovação alimentar. O projeto é de duas alunas de mestrado da Universidade de Aveiro.

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Bárbara Vitoriano e Adelaide Olim, alunas de mestrado em biotecnologia alimentar e design, respetivamente, na Universidade de Aveiro, desenvolveram o preparado alimentar “Orangebee”, um preparado fermentado, que pretende ser “uma alternativa vegetal ao iogurte” e conquistaram o primeiro prémio na ECOTROPHELIA Europe, considerada a maior competição europeia em eco-inovação alimentar.

“Este prémio deixa-nos muito realizadas e sentimos que realmente podemos colocar este produto no mercado ou que é possível ou que estamos um bocadinho mais perto disso”, conta à Renascença Bárbara Vitoriano.

O preparado alimentar “Orangebee”, à base de aquafaba e pólen apícola pode ser utilizado como sobremesa e reutiliza desperdícios da indústria alimentar.

“É constituído por três partes. Na parte superior é polvilhado por polén apícola, na parte intermédia é o preparado fermentando, constituído à base da água de cozedura de leguminosas, das três mais consumidas em Portugal, que é o grão de bico, o feijão vermelho e o feijão preto, e a zona inferior que é a zona mais adocicada do produto, é constituído por uma geleia de casca de laranja”, explica a investigadora.

De acordo com Bárbara Vitoriano, para além de ser um produto sem lactose “é apto para intolerantes ao glúten e à lactose, rico em fibra e rico em prebióticos FOS”.

Na elaboração do produto foi utilizado um xarope diacol, um subproduto da indústria, com “imensos benefícios para a saúde em termos prebióticos”, assinala Bárbara Vitoriano, acrescentando que o “Orangebee” constitui “cerca de 20% da dose diária recomendada destes prebióticos chamados FOS e contém 89 calorias”.

“E comparativamente a outras opções alternativas vegetais que existem no mercado, são valores muito promissores. Também a quantidade de açúcar é bastante controlada e também não contém gordura”, explica a estudante da Universidade de Aveiro.

Está aí a comida do futuro

Bárbara Vitoriano acredita que podemos estar perante a “comida do futuro”, explicando que o produto “foi pensado tendo em conta a procura que existe no mercado e tendo em conta a sustentabilidade e a gestão dos recursos alimentares”.

“O objetivo foi mesmo pensar num produto o mais sustentável possível para o futuro e também no modo de como estes recursos são geridos ao nível industrial”, realça.

E já “existem muitos interessados em provar”, conta a estudante de mestrado da Universidade de Aveiro, acrescentando que recebem mensagens “todos os dias” de pessoas que “estão interessadas em comprar”.

Grande parte do projeto foi desenvolvido durante a pandemia e para além do concurso não houve grande oportunidade de dar o produto a degustar.

O próximo passo, segundo Bárbara Vitoriano, é promover degustações em estabelecimentos comerciais de grande dimensão, para perceberem qual a adesão do público português ao produto.

“E depois, sim, estamos também interessados em entrar em contacto com mais empresas e tentar entender como é que podemos colocar este produto no mercado”, adianta a investigadora.

Para aguçar o apetite, Barbara Vitoriano adianta que o novo produto “sabe bastante a laranja”.

“O objetivo é misturar todos os sabores e as três camadas e usufruir de todos os sabores e de todas as texturas. A mistura é bastante frutada, o pólen apícola desfaz-se na boca. O preparado é bastante cremoso, a geleia é bastante adocicada, o que faz com que o sabor frutado seja bastante a laranja, mas com um travo ligeiro à amargura da casca”, revela.

O “Orangebee” foi o projeto eco inovador que representou Portugal na ECOTROPHELIA Europe, considerada a maior competição europeia em eco inovação alimentar, com 13 países em competição e 14 universidades europeias presentes.

Christoph Hartmann, da Nestlé, que liderou o júri europeu, explicou que “o produto Orangebee tem um design bastante apelativo, muita qualidade e uma proposta de valor elevada”, considerando-o “um excelente contributo para o futuro da inovação alimentar”.

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