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Ordem dos Médicos alerta para “grave sobrecarga” nas urgências pela Linha SNS 24

25 out, 2020 - 09:45

“Estão a chegar às urgências, via SNS 24, utentes sem qualquer sintoma, nalguns casos porque estiveram em contacto com pessoas suspeitas de terem covid-19 ou porque testaram positivo, o que não constitui, só por si, indicação para serem atendidos em ambiente de urgência", alerta a Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos

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A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) alerta para o facto de a atuação da Linha SNS 24, no âmbito da covid-19, causa uma “grave sobrecarga” nas urgências, pelo que defende alterações na referenciação dos doentes.

Em comunicado enviado este domingo à agência Lusa, a SRCOM “considera inadmissível a forma como está a ser feita a referenciação dos doentes através da Linha SNS 24 e solicita uma atuação urgente por parte do Ministério da Saúde e da Direção-Geral da Saúde (DGS) que têm mantido, até agora, uma inexplicável passividade na resolução deste problema”.

“A Ordem dos Médicos tem recebido numerosas queixas de médicos de toda a região Centro que alertam para o encaminhamento errado, do ponto de vista clínico, através da Linha SNS 24”, é referido.

Segundo a nota, “situações não urgentes ou em que nem sequer existe doença estão a ser encaminhadas, quer para as urgências de adultos, para as urgências pediátricas e até para as unidades de cuidados de saúde primários, estando em causa a ‘grave sobrecarga’ dos serviços”.

“Estão a chegar às urgências, via SNS 24, utentes sem qualquer sintoma, nalguns casos porque estiveram em contacto com pessoas suspeitas de terem covid-19 ou porque testaram positivo, o que não constitui, só por si, indicação para serem atendidos em ambiente de urgência. Noutros casos, são doentes com sintomas ténues cuja indicação é manterem-se no seu domicílio”, explica Carlos Cortes, presidente daquela estrutura.

O responsável, citado no comunicado, alerta que o Ministério da Saúde “está a permitir, também, que as urgências sejam postos de colheita para testagem do SARS-CoV-2 e isso assume contornos muito perigosos, já que o número de patologias graves, nomeadamente descompensações de patologias crónicas, estão a ser cada vez mais frequentes e precisam de atendimento urgente”.

“De forma a evitar descoordenação, o Ministério da Saúde e a DGS têm de atualizar os procedimentos e garantir o acompanhamento e a melhor assistência nos serviços de urgência aos doentes com covid-19 e com todas as outras patologias”, defende Carlos Cortes.

A SRCOM apela ao Ministério da Saúde e à DGS que tornem públicos “os protocolos e algoritmos em vigor na Linha SNS 24 (808 24 24 24), de forma a que os médicos possam dar um contributo eficaz para melhorar o encaminhamento de doentes”.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,1 milhões de mortos e mais de 42,2 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 2.297 pessoas dos 116.109 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

Comentários
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  • José Gaspar
    25 out, 2020 Leiria 17:01
    A Ordem dos Médicos só não esclarece como e onde ir buscar mais profissionais de Saúde, Portugal como a grande maioria dos Países tem falta de profissionais de Saúde que cheguem para socorrer todos seja de Covid-19 ou de outras Doenças, em Portugal se ao longo de Décadas tivessem investido mais na Saúde e não desinvestindo, talvez a situação fosse um pouco menos grave, mas todos os governos desinvestiram na Saúde agora não var ser num ano ou dois que se vai recuperar tudo isso, seja com que governo for, e tenho muitas dúvidas que depois desta situação voltar ao normal que os governos passem a investir na Saúde e em outras áreas.
  • Filipe
    25 out, 2020 évora 12:14
    Semearam os frutos agora colhem tempestades , mandaram as pessoas utilizar máscaras e desinfetar as mãos para bem da economia , bem sabendo que este vírus devido à sua dimensão , propaga-se através dos orifícios das máscaras , o mesmo seria comparável a utilizar um preservativo de tecido para precaver o vírus HIV . Ainda vai ser pior ... preparem-se para os danos diretos e colaterais deste vírus nas pessoas , as baixas vão ser pior do que a Guerra de África .Este vírus só se combate quebrando as cadeias de transmissão no confinamento geral e todos os infetados metidos no Meo Arena , não é espalhar os infetados por Portugal , mesmo dentro de casa contaminam .
  • Maria Teresa Ribeiro
    25 out, 2020 Corroios - Seixal 11:29
    Sou professora - M.EDUC. Todas as escolas do Agrupamento vão fechar??? DECLARAÇÃO assinada pela Diretora para mais de 3000 profissionais (prof educadoras, Auxiliares...pessoal da administração)