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Ensino Superior

Reitora da Católica inicia novo mandato de olhos postos na "reconfiguração do modelo pedagógico"

23 out, 2020 - 20:37 • Ecclesia

Nova Faculdade de Medicina e maior interdisciplinaridade são desafios assumidos por Isabel Capeloa Gil para os próximos quatro anos.

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Isabel Capeloa Gil, reitora da Universidade Católica Portuguesa (UCP), tomou hoje posse em Lisboa para um novo mandato à frente da instituição académica, apontando à implementação da Faculdade de Medicina e uma maior interdisciplinaridade.

A responsável disse à Agência Ecclesia e à Renascença que as prioridades para 2020-2024 passa pela “execução de grandes projetos”, a começar pelo primeiro curso de Medicina não-estatal em Portugal, e a “reconfiguração do modelo pedagógico”, para criar um ensino “verdadeiramente condizente com o princípio da ecologia integral dos saberes”.

“Entendemos que, para o futuro, a formação que faz a diferença é aquela que, sem deixar a disciplinariedade, ultrapassa de forma muito claro aquilo que são os silos das áreas do saber tradicionalmente ligadas à ciência normal”, explicou.

Isabel Capeloa Gil destacou que o Ensino Superior “tem de evoluir, adaptar-se a novos contextos e tem de responder aos grandes problemas contemporâneos”, das migrações à justiça intergeracional.

Já no seu discurso de tomada de posse, a reitora da UCP sustentou que a instituição tem de estar “na vanguarda do conhecimento, do modelo de formação, da capacitação profissional”.

“20 anos após a Declaração de Bolonha, num ambiente de maturidade e reconhecimento institucional do seu modelo de ensino e investigação, é tempo para a Católica ser de novo vanguarda”, insistiu.

A reitora destacou ainda o reforço do “trabalho em colaboração com outras universidades portuguesas” e a revisão do estatuto da carreira docente, projetando para março de 2021 a apresentação do novo Plano de Desenvolvimento Estratégico, para os próximos cinco anos, ao Conselho Superior da UCP.

"O nosso objetivo será o de fazer com que a educação superior dê ao país mais do que profissionais tecnicamente qualificados, mas que forme pessoas com uma visão alargada dos problemas da sociedade, com pensamento crítico, sensibilidade estética, capacidade cidadã de intervir para fazer acontecer um Portugal que aspira."

D. Manuel Clemente, magno chanceler, destacou à Agência ECCLESIA e Rádio Renascença o ideal de “uma universalidade de saberes”, que se alargou agora à Medicina.

“O ideal de uma universidade é esse mesmo, ser um conjunto alargado de saberes”, precisou o cardeal-patriarca de Lisboa.

No seu discurso, o cardeal pediu “maior atenção criativa” às últimas encíclicas de Francisco, ‘Fratelli Tutti’ e ‘Laudato Si’, da Teologia à Economia.

O responsável considerou que a UCP merece o “apoio do Estado e da sociedade”, pelo seu trabalho, mas destacou que “é na fidelidade ao espírito evangélico que garantirá sempre o seu futuro”.

Isabel Capeloa Gil lidera a UCP desde outubro de 2016; a professora catedrática da Faculdade de Ciências Humanas nasceu a 22 de julho de 1965 em Mira, Coimbra; tem doutoramento em Língua e Cultura Alemãs na Faculdade de Ciências Humanas da UCP, da qual foi diretora desde 2005 e 2012.

A reitora é também, desde 2018, presidente da Federação Internacional das Universidades Católicas (FIUC).

A UCP, criada em 1967, é reconhecida pelo Estado como instituição universitária livre, autónoma e de utilidade pública.

A Concordata entre a Santa Sé e a República Portuguesa assinada em 2004 afirma no seu artigo 21.º a “especificidade institucional” da Universidade Católica.

A recondução para 2020-2024 foi confirmada por Decreto da Congregação da Educação Católica (Santa Sé), de 6 de agosto de 2020.

A investidura decorreu no Auditório Cardeal Medeiros e teve transmissão online; nela tomam posse os vice-reitores – Peter Hanenberg, Isabel Vasconcelos, Miguel Athayde Marques, José Manuel Pereira de Almeida, Fernando Ferreira Pinto e Margarida Mano.

A equipa reitoral para o próximo quadriénio inclui, pela primeira vez, integra os presidentes dos Centros Regionais de Viseu, Braga e Porto, que passam a membros da equipa reitoral como pró-reitores.

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