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Professor de Chaves conquista prémio mundial pela excelência no ensino

23 out, 2020 - 09:21 • Olímpia Mairos

Jorge Teixeira é o primeiro português a ganhar o Global Teacher Award 2020. O concurso mundial premeia a excelência no ensino e a sua contribuição para a construção da sociedade, com base num ensino inspirador.

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Chama-se José Jorge Silva Teixeira e tem 51 anos. É professor de Física e Química do 3.º ciclo do Secundário, no Agrupamento de Escolas Dr. Júlio Martins, em Chaves, e venceu a 3ª edição do Global Teacher Award 2020 & Teacher Inspiraton Week, um concurso mundial, com sede na Índia.

“É um grande estímulo ser o primeiro português a receber este prémio e significa o reconhecimento por parte dos meus pares”, conta à Renascença Jorge Teixeira, acrescentando que o prémio “valoriza os professores e os projetos que desenvolvem”.

A AKS Education Awards premeia anualmente em todo o mundo professores que se destacam pela excelência e eficácia do seu ensino, no envolvimento com a comunidade e ainda no desenvolvimento de programas educacionais.

Para chegar ao prémio, o docente da Escola Dr. Júlio Martins foi recomendado por colegas, tendo depois formalizado a candidatura a 3 de fevereiro. A candidatura foi aceite e no dia 9 de abril, em pleno estado de emergência, recebeu a indicação de que teria que apresentar um projeto em 20 dias.

E assim fez. Apresentou o projeto “Trabalho prático de ciência e tecnologia na era Covid-19” que implementou à distância com os alunos do 10º ano da Escola Dr. Júlio Martins.

O projeto centrou-se no ensino à distância através de calculadoras gráficas e micro:bits, um “computador” de placa única utilizado para ensino de conceitos básicos de computação e programação de computadores.

De acordo com Jorge Teixeira, o projeto permitiu aliar os conteúdos disciplinares, a programação e a robótica. Tudo isto com aplicação às situações do dia a dia, inclusive para ajudar a evitar a propagação da pandemia da Covid-19.

“Não podemos ter os conteúdos desgarrados do conhecimento do dia-a-dia e dos interesses dos alunos”

Jorge Teixeira, que em 2018 venceu a primeira edição do Global Teacher Prize Portugal, é um grande defensor e promotor do ensino experimental.

“É uma mais valia para entusiasmar e para aprender e não é só os alunos, mas também os professores, porque ninguém aprende sem mexer”, afirma à Renascença, explicando que “estudar só pelos livros, acreditar naquilo que os livros dizem, não estimula muito o espírito”.

O professor vencedor do Global Teacher Award 2020 considera que “uma das obrigações do ensino é ajudar os alunos a pensar, não é ajudar os alunos a copiar, não é ajudar os alunos a memorizar ou a seguirem um algoritmo qualquer”.

“E o ensino experimental tem muito essa função, porque a maior parte das vezes, como eles dizem, nem dá, mas eu digo-lhes a experiência dá sempre, dá sempre, é o que dá”, conta o professor, acrescentando que “só na interpretação do fenómeno que aconteceu é que se começa a aprender”.

“Se as coisas dessem todas muito direitinhas, não íamos aprender grande coisa. É simplesmente pegar, ler umas coisas, decorar uns passos ou uns algoritmos e isto não incentiva o espírito”, completa.

O ensino experimental é, por assim dizer, de uma forma simples, uma forma de pegar nos conteúdos e ligá-los às coisas do dia-a-dia, porque, considera o professor de física e química, “não podemos ter os conteúdos desgarrados do conhecimento do dia-a-dia e dos interesses dos alunos”.

Clube do Ensino Experimental das Ciências

O docente de física e química fundou, há 14 anos, na Secundária Fernão de Magalhães, em Chaves, o “Clube do Ensino Experimental das Ciências (CEEC), um clube informal que articula com o ensino formal”.

Quando pediu transferência de agrupamento, decidiu repetir a ideia e criou o CEEC na Escola Dr. Júlio Martins, também em Chaves. O clube está aberto semanalmente, fora do horário letivo, acessível a todos os estudantes que queiram participar e é “um espaço onde os alunos debatem ideias, fazem experiências e aplicam os conhecimentos adquiridos nas aulas”. As experiências são, depois, reveladas à comunidade escolar.

Em 2018, Jorge Teixeira foi considerado o melhor professor de Portugal pelo concurso Global Teacher Prize. Em 2019 ficou na lista dos 50 melhores docentes do mundo. Neste ano, marcado pela crise pandémica da Covid-19, conquista o Global Teacher Award 2020.

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