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Máscara passa a ser obrigatória na rua por (pelo menos) 70 dias

23 out, 2020 - 13:50 • João Carlos Malta , Paula Caeiro Varela

O Bloco propõe “a disponibilização gratuita, em espaços públicos, a toda a população de máscaras e equipamentos de proteção individual”.

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O Parlamento aprovou, esta sexta-feira, um projeto-lei do PSD que impõe o uso obrigatório de máscara em espaços públicos durante pelo menos 70 dias, medida que poderá ser renovada.

A medida foi aprovada com os votos a favor do PS, do PSD, do CDS, e do PAN, e o voto contra do deputado da Iniciativa Liberal, João Coutrim Figueiredo. O PCP, o PEV, e Jacir Katar Moreira abstiveram-se.

As coimas para os infratores variam entre 100 e 500 euros. Na votação na especialidade foram aprovadas algumas alterações ao texto do PSD: por proposta do PS, a medida vigorará por 70 dias (e não por 90, como se previa na última versão do projeto) e será objeto de avaliação quanto à necessidade da sua renovação no final desse período.

O debate do projeto de lei do PSD começou com o deputado social-democrata, Luís Marques Guedes, a pedir que “não se infantilizem os portugueses” com a história “bacoca do milagre português” e que não fiquem esquecidas as “duas dezenas de milhar de cirurgias e oito milhões de consultas por realizar”.

Em relação ao projeto de lei dos sociais-democratas, o mesmo deputado diz que a recomendação das autoridades de Saúde veio em consequência da pressão do partido. “Resistiram as autoridades durante meses à sua utilidade. Recomendaram a utilização em espaços publico por pressão do PSD”, afirmou.

Por fim, disse que esta “é uma questão de lapidar bom senso cujo reconhecimento só peca por tardio”.

O PS, através do deputado José Magalhães, acredita que “o pior que os decisores políticos podem fazer é tentar surgir perante os cidadãos como seres omniscientes”.

O mesmo defende que a proposta do PSD, caso seja aprovada pelo hemiciclo “não vai substituir as indicações da DGS”. “Esperamos que esta medida ajude os portugueses a cumprirem com zelo um dever que nos protege a todos”, acrescentou.

Já o CDS-PP, embora reconheça a utilidade da utilização de máscara na comunidade, apontou duas falhas à proposta apresentada pelo PSD. Por um lado a “indeterminação do conceito de distanciamento” e, por outro, a “indeterminação das exceções” à utilização da máscara.

O Bloco de Esquerda, através de Moisés Ferreira, anunciou que ia apresentar alterações à proposta do PSD. O Bloco considera que “tendo em conta a situação de pandemia [as máscaras] podem também ser utilizadas em espaços públicos ao ar livre onde haja mais concentração de população”.

O BE pensa que a proposta do PSD está baseada “demasiado na lógica de obrigação, fiscalização e contra-ordenação”. Para o BE “devia estar baseado na lógica de sensibilzação, comunicação e disponibilização de máscaras à população.”

Por fim, os bloquistas propuseram “a disponibilização gratuita, em espaços públicos, a toda a população de máscaras e equipamentos de proteção individual”.

Contra a medida

Já o PCP avalia que a proposta do PSD não define o conceito de distanciamento social, o que os comunistas considera um erro já que “ficará à disposição de terceiros”.

“É necessário uma clareza os pressupostos dessa obrigatoriedade e sua fiscalização que será necessária fazer para fiscalizar essa obrigatoriedade”, apontou o líder parlamentar do PCP.

João Oliveira defendeu que uma maior clareza das regras pode “fazer fiscalização a da obrigatoriedade se margem para dúvidas ou abuso de poder”.

Depois de criticar a postura da DGS em relação ao uso de máscaras, o deputado da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, declarou que “o Governo atirou a primeira pedra e depois escondeu a mão”, e que a proposta do PSD “se baseia nas orientações erráticas da DGS”.

“Não contem com a Iniciativa Liberal para viabilizar medidas avulsas que usam a desorientação e o medo para novas imposições”, afirmou.

Por fim, a depuatada Bebiana Cunha, do Pessoas-Animais-Natureza, afirmou que “o Governo tem que fazer a sua parte para que medidas como estas sejam compreendidas, aceites e impostas” e também fazer caminho para, por exemplo, uma maior “aposta nas máscaras reutilizáveis”.

Queixas no PSD

Entretanto, o deputado Pedro Rodrigues diz que o PSD perdeu mais uma oportunidade para liderar uma matéria sensível para o seu eleitorado "rejeitando, tal como propus em Fevereiro, que se discutisse no Grupo Parlamentar a hipótese de apresentarmos, na sequência da deliberação do Congresso, uma proposta para a realização de um referendo à despenalização da eutanásia".

"O presidente do PSD optou por rejeitar essa possibilidade e hoje ficou demonstrado que a esmagadora maioria do Grupo Parlamentar (70 deputados) são favoráveis à realização do referendo", acrecentou o deputado.

Por fim, o ex-líder da JSD disse que "uma vez mais a direção política do PSD optou por votar ao lado do Partido Socialista", mostrando, por isso, "cerimónia na demarcação necessária que temos de fazer do Partido Socialista, se efetivamente temos a ambição de liderar uma nova maioria para Portugal".

[notícia corrigida às 14h21]

Comentários
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  • Maria
    24 out, 2020 Palmela 09:59
    comprei tampoes para os ouvidos ! O governo que meta policiamento a porta de cada pessoa!
  • FIlipe
    23 out, 2020 évora 23:38
    Já agora decretem obrigatório o uso do preservativo , só um Governo e seus afilhados jagunços , podem enfiar a Constituição da República Portuguesa no lixo , revogando o seu conteúdo . Não usem máscara , não obedeçam a normas inconstitucionais , não paguem multas , apresentem queixa em tribunal pelas detenções ilegais . Mandem prender o padrinho da máfia , o Costa . Portugal precisa de um golpe de Estado .
  • Alexandre
    23 out, 2020 Lisboa 20:23
    "15 dias em casa para achatar a curva" - Março Por algo que é ligeiramente pior que uma gripe (como podem consultar no site da DGS; e comparar o nº de óbitos ano após ano), tiraram-nos todas as liberdades - e os que andavam a gritar 25 de Abril Sempre! estão calados, em casa, em teletrabalho, enquanto o povo é que anda de metro com a fralda na cara, ou que trabalha 10 horas por dia com aquele instrumento de tortura colado ao rosto. Revoltante.
  • Ivo Pestana
    23 out, 2020 Funchal 19:17
    Assim é uma medida acertada e profilática. Cuidem-se!
  • Carlos Costa
    23 out, 2020 Lisboa 12:32
    Se obrigam o uso da máscara, devem disponibiliza-las gratuitamente ao povo.