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Bastonário à Renascença

Mais de 500 dentistas querem reforçar linha SNS 24. "Não esperamos moeda de troca"

23 out, 2020 - 23:11 • José Carlos Silva

Mais de meia centena de dentistas inscreveu-se para integrar temporariamente a linha telefónica de apoio na saúde nas primeiras horas de recrutamento.

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O bastonário dos Médicos Dentistas diz que bastaram apenas algumas horas para mais de 500 profissionais se disponibilizarem para integrar, ainda que temporariamente, a linha SNS 24, algo que parte da boa vontade destes médicos sem esperarem nada em troca.

"As inscrições abriram hoje e posso já dizer-lhe que, nas primeiras horas, tivemos mais de 500 colegas a disponibilizarem-se, o que demonstra desde já uma vontade grande de colaborar", adiantou Miguel Pavão à Renascença esta sexta-feira. "Obviamente que não esperamos nenhuma moeda de troca, principalmente porque todos devemos estar unidos. Os médicos dentistas não fazem isto à espera que haja um reforço da estratégia [para o setor]."

Questionado sobre quantos dentistas acabarão por integrar a linha telefónica do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o bastonário diz não ter esses dados mas indica que, "da parte do SNS 24, é preciso um reforço muito grande" para fazer face ao aumento da procura com a pandemia de Covid-19.

"Aquilo que foi pedido, com algum caráter de urgência, à Ordem dos Médicos Dentistas era comunicar com os colegas" sobre o processo de recrutamento temporário para reforço da linha, que arrancou hoje.

"A contratação é feita entre aquilo que é a linha SNS 24 e os próprios médicos dentistas de forma individual. A Ordem saúda essa colaboração, teve uma boa recetividade e agora todos os médicos dentistas têm de ter aqui uma capacitação, uma calibragem e uma informação para se adequarem a esta linha."

Miguel Pavão lembra que o recrutamento não tem prazo-limite e adianta que "a gestão é feita pela própria linha SNS 24".

"Diria que há aqui uma necessidade de cumprir e de corroborar as necessidades que são expectáveis com o aumento de atendimentos e de telefonemas por parte da população, que cresceu exponencialmente. Eu diria que se vai acompanhando com o evoluir da situação, mas temos um recurso privilegiado, especializado útil e credível nos médicos dentistas."

O representante dos dentistas diz não ter dúvidas de que o atual ou qualquer outro Governo "tem de olhar para os médicos dentistas como profissionais de saúde", até porque estes profissionais não podem ser "dissociados do que é a saúde no geral, mais do que olharmos só para a saúde oral".

"Os dentistas têm de ser agentes de mudança, agentes de saúde pública e essencialmente têm também aqui um papel pedagógico de contribuição para a saúde pública nesta pandemia."

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