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"Write ’n’ Let Go". Estudo analisa a relação entre escrita e sofrimento em universitários

22 out, 2020 - 09:55 • Olímpia Mairos

O desaparecimento ou a doença de um familiar, o cumprimento dos ideais de beleza, a pressão académica, a solidão, o bullying, o amor não correspondido e a falta de autoconfiança são algumas das dificuldades estudadas pelos investigadores.

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A Universidade do Minho (UMinho) está a desafiar os estudantes do ensino superior em Portugal a refletirem através da escrita sobre os problemas que lhes causam sofrimento psicológico.

O estudo piloto está a ser desenvolvido pela Unidade de Psicoterapia e Psicopatologia do Centro de Investigação em Psicologia da Universidade do Minho e exclui a intervenção direta de um psicólogo.

O programa Write ’n’ Let Go utiliza um formato digital, baseia-se na chamada “escrita expressiva”, focada em eventos traumáticos, stressantes e emocionais, e nos sentimentos inspirados por essas ocorrências e sugere que os participantes escrevam sobre pensamentos e emoções ligados a uma dificuldade que tenham.

As tarefas de escrita duram 20 minutos por semana e prolongam-se por um mês, incluindo questionários breves.

O projeto é considerado inovador, foi aprovado pela Comissão de Ética para a Investigação em Ciências Sociais e Humanas, e decorre até julho de 2021.

“Em tempos de pandemia de Covid-19, os desafios tornaram-se ainda maiores. Os novos modelos de ensino online, a perda de proximidade e de contacto com os colegas e professores. A mudança foi tão rápida que nem sempre possibilitou uma adaptação adequada levando a mais desafios e momentos de stress na vida universitária”, assinala em comunicado a academia minhota.

O desaparecimento ou a doença de um familiar, o cumprimento dos ideais de beleza, a pressão académica, a solidão, o bullying, o amor não correspondido e a falta de autoconfiança são algumas das dificuldades esperadas pelos investigadores.

Perturbações mentais são a principal causa de incapacidade

“Poderemos detetar estados de depressão e ansiedade que de outro modo seria difícil apoiar. Queremos testar a eficácia deste programa-piloto ao nível da saúde mental e a sua potencial contribuição para construirmos ferramentas de ajuda psicológica acessíveis, inclusivas e de baixo custo”, referem os coordenadores do “Write’n’Let Go”, Miguel Gonçalves e João Batista.

Da equipa de trabalho fazem parte ainda Janine Marinai e Melissa Gouveia, alunas de mestrado da Unidade de Psicoterapia e Psicopatologia do Centro de Investigação em Psicologia da UMinho.

Os cientistas sublinham que a saúde mental “é uma componente fundamental” do bem-estar dos cidadãos, independentemente da saúde física, realçando que “num inquérito recente da Angelini Farmacêutica, 51% dos estudantes universitários disseram ter colegas ou amigos a quem foi diagnosticada uma doença mental durante o ensino superior”.

Segundo o Conselho Nacional de Saúde, as perturbações mentais são a principal causa de incapacidade e retiram um terço dos anos de vida saudáveis devido a doenças crónicas não transmissíveis.

Ainda de acordo com os cientistas da Universidade do Minho, estima-se que “os custos com a doença mental em Portugal rondem os 6.6 mil milhões de euros por ano, ou seja, 3.7% do PIB, sendo que a depressão afeta 10% dos portugueses e as perturbações psiquiátricas atingem 23% da população, colocando o país em segundo lugar na Europa”.

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