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Papa Francisco diz que a paz deve ser a prioridade de qualquer política

20 out, 2020 - 17:30 • Filipe d'Avillez

Num encontro com líderes de outras religiões, Francisco avisa que “nenhum povo, nenhum grupo social pode alcançar, sozinho, a paz, o bem, a segurança e a felicidade. Ninguém.”

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O Papa responsabilizou esta terça-feira os líderes políticos do mundo pela paz no mundo ao mesmo tempo que insistiu que as religiões, na sua essência, são agentes de paz.

Francisco participou num encontro internacional pela paz, em Roma, juntamente com líderes das principais religiões do mundo.

Depois de uma celebração ecuménica, onde participaram apenas os cristãos, o Papa dirigiu-se ao Capitólio para um encontro com todos os líderes e apelou à classe política para que faça da paz uma prioridade no mundo.

“Pôr fim à guerra é dever inadiável de todos os responsáveis políticos perante Deus. A paz é a prioridade de qualquer política. Deus pedirá contas a quem não procurou a paz ou fomentou as tensões e os conflitos, de todos os dias, meses, anos de guerra que assolaram os povos.”

Francisco foi enfático e pediu que não se deixe que a guerra e a violência se tornem lugares comuns na sociedade. “Há necessidade de paz! Mais paz! O mundo, a política, a opinião pública correm o risco de habituar-se ao mal da guerra, como companheira natural da história dos povos.”

“Hoje, as tribulações da guerra são agravadas também pela pandemia do Coronavírus e pela impossibilidade, em muitos países, de se ter acesso aos tratamentos necessários”, acrescentou.

Admitindo que por vezes a guerra é feita em nome da religião, o Papa condenou esta atitude dizendo que na sua essência as diferentes religiões são pela concórdia. “Os crentes compreenderam que a diversidade de religião não justifica a indiferença nem a inimizade. Antes pelo contrário, a partir da fé religiosa, é possível tornar-se artesãos de paz e não espectadores inertes do mal da guerra e do ódio.”

“As religiões estão ao serviço da paz e da fraternidade. Por isso, também este encontro impele os líderes religiosos e todos os crentes a rezarem insistentemente pela paz, não se resignarem jamais com a guerra e agirem mediante a força suave da fé para pôr fim aos conflitos”, afirmou.

Encontro inter-religioso pela paz. Papa garante que “com a ajuda de Deus, é possível salvarmo-nos juntos”
Encontro inter-religioso pela paz. Papa garante que “com a ajuda de Deus, é possível salvarmo-nos juntos”

Dirigindo-se aos representantes do budismo, do islão e de outras religiões presentes para este evento em Roma, Francisco disse ainda: “Estamos juntos, nesta tarde, como pessoas de diferentes tradições religiosas, para comunicar uma mensagem de paz. Isto mostra claramente que as religiões não querem a guerra; pelo contrário, desmentem quem sacraliza a violência, pedem a todos que rezem pela reconciliação e atuem para que a fraternidade abra novas sendas de esperança. De facto, com a ajuda de Deus, é possível construir um mundo de paz e, assim, salvarmo-nos juntos.”

O tema deste encontro é precisamente “Ninguém se salva sozinho”. Segundo Francisco o mesmo se aplica à construção da paz. “Nenhum povo, nenhum grupo social pode alcançar, sozinho, a paz, o bem, a segurança e a felicidade. Ninguém.”

O Papa deixou assim um apelo a todos os crentes para que, quando confrontados com a tentação de fazer a guerra e recorrer à violência, sigam o exemplo de Jesus. “Quantos empunham a espada, crendo talvez que resolvem rapidamente situações difíceis, experimentarão em si mesmos, nos seus entes queridos, nos seus países a morte que vem da espada. ‘Basta!’ diz Jesus, quando os discípulos Lhe mostram duas espadas antes da Paixão. ‘Basta!’: é uma resposta inequívoca a toda a violência.”

“Aquele 'basta' de Jesus atravessa os séculos e chega, forte, até nós hoje: basta com as espadas, as armas, a violência, a guerra!”, concluiu o Papa.

O encontro entre os líderes religiosos foi marcado ainda por discursos dos diferentes representantes, com dois momentos de destaque. O rabino-mor de França, Haim Korsia, a pedir ao Papa que contribua para o diálogo entre o judaísmo e o islão e o grande imã de Al-Azhar, no Egito, que condenou no seu discurso o recente assassinato de um professor em Paris, às mãos de um radical muçulmano.

No final do encontro todos os presentes assinaram uma declaração conjunta pela paz.

[Notícia atualizada às 19h30]

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