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“A guerra é o falhanço da política e da humanidade”, dizem líderes religiosos

20 out, 2020 - 17:40 • Filipe d'Avillez

A atual pandemia de Coronavírus só vem realçar a importância do trabalho conjunto para acabar com as guerras e construir um mundo mais fraterno, dizem os líderes religiosos que, em conjunto com o Papa, assinaram uma declaração em Roma.

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Os líderes religiosos reunidos esta terça-feira em Roma, para um encontro internacional pela paz promovido pela Comunidade de Santo Egídio, consideram que a guerra é uma falência da política e da humanidade.

Reunidos no Capitólio em Roma, depois de terem ouvido Francisco afirmar que a paz deve ser a prioridade de qualquer política, os líderes assinaram uma declaração conjunta em que apelaram aos vários setores da população mundial para unirem esforços para acabar com a guerra.

“É tempo de voltar a sonhar, com ousadia, que a paz é possível, a paz é necessária, um mundo sem guerras não é uma utopia. Por isso queremos dizer mais uma vez: ‘Nunca mais guerra!’ Infelizmente, aos olhos de muitos, a guerra voltou a aparecer como uma via possível para a solução das disputas internacionais. Não é assim.”

“Antes que seja demasiado tarde, queremos lembrar a todos que a guerra sempre deixa o mundo pior do que o encontrou. A guerra é o falhanço da política e da humanidade”, lê-se na declaração.

A necessidade de se trabalhar em conjunto só sai reforçada pela atual situação de pandemia em que o mundo se encontra. “A guerra e a paz, as pandemias e os cuidados da saúde, a fome e o acesso aos alimentos, o aquecimento global e a sustentabilidade do desenvolvimento, os deslocamentos de populações, a eliminação do risco nuclear e a redução das desigualdades não dizem respeito apenas a cada nação individualmente.”

“Compreendemo-lo melhor hoje, num mundo cheio de conexões, mas onde muitas vezes se perde o sentido da fraternidade. Somos irmãs e irmãos, todos! Peçamos ao Altíssimo que, depois deste tempo de provação, deixe de haver ‘os outros’ para existir apenas um grande ‘nós’ rico de diversidade.”

A declaração dirige-se então aos líderes políticos do mundo. “Apelamos aos governantes para que rejeitem a linguagem da divisão, frequentemente apoiada por sentimentos de medo e desconfiança, e não adotem caminhos sem retorno. Pensemos conjuntamente nas vítimas. Existem tantos, demasiados conflitos ainda em aberto.”

“Aos responsáveis dos Estados, dizemos: Trabalhemos juntos numa nova arquitetura da paz. Unamos as forças em prol da vida, da saúde, da educação, da paz. Quanto aos recursos empregues na produção de armas cada vez mais destrutivas, fautoras de morte, chegou a hora de os utilizar para corroborar a vida, cuidar da humanidade e da nossa casa comum. Não percamos tempo!”

De seguida, os líderes religiosos apelam aos crentes das diversas religiões do planeta. “Com criatividade façamo-nos artesãos da paz, construamos amizade social, assumamos a cultura do diálogo. O diálogo leal, perseverante e corajoso é o antídoto contra a desconfiança, as divisões e a violência. O diálogo dissolve, pela raiz, as razões das guerras, que destroem o projeto de fraternidade inscrito na vocação da família humana.”

“Ninguém pode deixar de se sentir envolvido. Todos somos corresponsáveis. Todos temos necessidade de perdoar e ser perdoados. As injustiças do mundo e da história curam-se, não com o ódio e a vingança, mas com o diálogo e o perdão”, concluem os líderes religiosos que esta terça-feira se reuniram em Roma, inspirados pelo “Espírito de Assis”, recordando o primeiro encontro do género convocado por João Paulo II em 1986.

O Papa Francisco fez dois discursos durante este encontro. Num responsabilizou os políticos pela construção da paz e no outro recordou aos cristãos que o evangelho do "salva-te a ti mesmo" não é o Evangelho da salvação.

[Notícia atualizada às 19h28]

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