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França

Paris. Decapitado professor que mostrou caricaturas de Maomé, Macron fala em "terrorismo islâmico"

16 out, 2020 - 18:15 • Redação

Suspeito foi abatido pelas forças de segurança perto do local do crime, em Conflans Sainte-Honorine, nos arredores de Paris.

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[notícia atualizada às 22h30]

Um homem foi decapitado esta sexta-feira numa rua em Val-d'Oise, na comuna de Conflans Sainte-Honorine, nos arredores de Paris, no que o Presidente de França, Emmanuel Macron, diz ser um "ataque terrorista islâmico".

O alegado autor do ataque foi abatido pelas forças de segurança. O suspeito foi avistado por uma patrulha com uma faca na mão, nas imediações do local do ataque, e acabou por ser alvejado mortalmente. Segundo a Reuters, trata-se de um homem de 18 anos, nascido em Moscovo mas de etnia tchechena.

"Um dos nossos concidadãos foi assassinado hoje por ter ensinado aos seus alunos o que é a liberdade de expressão", declarou Macron aos jornalistas no local do ataque. "O nosso compatriota foi vítima de um ataque terrorista islâmico."

A vítima será um professor de História, que tinha mostrado caricaturas do profeta Maomé durante uma aula, avança fonte da polícia à agência Reuters.

A reprodução de imagens de Maomé é considerada uma blasfémia pelos fundamentalistas islâmicos.

O caso está a ser acompanhado pela procuradoria antiterrorismo. Foi aberta uma investigação por assassinato relacionado com terrorismo e associação a um grupo terrorista.


Testemunhas disseram à polícia que ouviram o atacante gritar "Allahu akbar" (Deus é grande), refere a agência Reuters. Um porta-voz das forças de segurança disse que esta informação está a ser investigada.

Numa mensagem divulgada nas redes sociais, a polícia francesa apela à população para evitar a zona onde ocorreu o crime.

No rescaldo do ataque, o ministro da Educação condenou o homicídio do professor, falando num "ataque a toda a República francesa".

"A nossa unidade e determinação são as únicas respostas face a esta monstruosidade que é o terrorismo islâmico", escreveu o ministro Jean-Michel Blanquer no Twitter.

Já o ministro do Interior, Gérald Darmanin, regressou de emergência de uma visita a Marrocos para acompanhar a situação no local.

De acordo com a Reuters, uma série de publicações no Twitter a 9 de outubro continham alegações de que o professor de História assassinado esta sexta-feira teria mostrado cartoons do profeta Maomé. Um dos tweets mostrava o vídeo de uma alegada aluna muçulmana a dizer ao pai que ficou chocada com o que aconteceu na sala de aula. A agência ainda não conseguiu confirmar de forma independente a autenticidade do vídeo e das alegações.

Nos últimos anos, França tem sido alvo de vários ataques terroristas de grandes dimensões, como o atentado contra o jornal satírico "Charlie Hebdo", que publicou e republicou recentemente caricaturas de Maomé; ou outro com recurso a um camião na cidade de Nice, entre outros.

O mais recente aconteceu a 25 de setembro, nas imediações da antiga sede do "Charlie Hebdo", e provocou dois feridos.

O suspeito desse ataque foi detido e acusado de "tentativa de homicídio relacionada com motivação terrorista" e também por "associação criminosa" terrorista.

O alegado autor do ataque de 25 de setembro admitiu chamar-se Zaheer Hassan Mahmoud e ter nascido no Paquistão em 1995.

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