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Covid-19. Novas restrições podem salvar milhares de vidas, diz OMS

16 out, 2020 - 13:05 • Marta Grosso

Hans Kluge, diretor da OMS para a Europa, diz que a mortalidade ainda é menor do que na segunda vaga e aplaude medidas mais rígidas para travar a pandemia.

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Os números estão a aumentar a cada dia e, segundo o diretor regional da Organização Mundial de Saúde para a Europa, as infeções diárias são hoje "duas a três vezes" mais do que nos primeiros meses da pandemia. O número de mortes é, contudo, "cinco vezes menor".

“A evolução da situação epidemiológica na Europa suscita grande preocupação”, afirma Hans Kluge numa conferência de imprensa virtual. “As projeções de modelos epidemiológicos indicam que políticas de relaxamento prolongadas podem impulsionar, até janeiro de 2021, a mortalidade diária em níveis quatro a cinco vezes maiores do que o registado em abril”, avisa.

Esta é, contudo, uma realidade que pode ser evitada, se usarmos “medidas simples – como, por exemplo, o uso sistemático e generalizado de máscaras (a uma taxa de 95% a partir de agora, em vez dos menos de 60% que vemos hoje) e o controlo de ajuntamentos sociais em espaços públicos ou privados – podem salvar até 281 mil vidas até 1 de fevereiro nos 53 Estados-membros da região”.

Estas projeções, sublinha Hans Kluge, vêm “confirmar o que sempre dissemos: a pandemia não reverterá o curso por conta própria, mas nós poderemos fazê-lo”.

O diretor da OMS para a Europa vê, por isso, com bons olhos a implementação de restrições “mais rígidas em muitos países” da região. “Isso é bom, porque são absolutamente necessárias”.

“São respostas adequadas e necessárias ao que os dados nos dizem: a transmissão e as fontes de contaminação ocorrem em residências e locais públicos fechados e em comunidades que não cumprem com as medidas de autoproteção”, destaca.

Mais casos, menos mortes

“O número diário de casos aumenta, os internamentos hospitalares aumentam, a Covid-19 é agora a quinta causa de morte e o limite de mil mortes diárias já foi atingido”, aponta.

Segundo o diretor regional, na semana que agora termina, a Europa “registou a maior incidência semanal de casos desde o início da pandemia, com quase 700.000 infeções notificadas” – número que, no total, já “ultrapassou os sete milhões” e que passou “de seis para sete milhões em apenas 10 dias”.


Contudo, isto não significa que tenhamos voltado a março. “Não, nós voltámos”.

“Embora estejamos a registar duas a três vezes mais casos por dia em comparação com o pico de abril, ainda observamos cinco vezes menos mortes”, diz Hans Kluge, segundo o qual, de março até agora “o vírus não mudou; não se tornou mais nem menos perigoso”.

Porquê o atual elevado número de casos?

Há várias “razões técnicas” apontadas pela OMS para o crescente número de casos diários.

“Uma delas certamente é o número de testes realizados, com taxas de testes ainda maiores nas idades mais jovens”, diz o diretor para a Europa.

“E há razões para a mortalidade mais baixa, que inclui a maior parcela de transmissão entre os jovens menos vulneráveis, que têm melhor capacidade para gerir casos graves e evitar um curso fatal doença”, aponta.

Hans Kluge alerta, contudo, para a eventualidade de o panorama da mortalidade “piorar, se a doença se espalhar para grupos de idade mais avançada, após mais contatos sociais internos ao longo das gerações”.

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