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Jacinto Lucas Pires-Henrique Raposo
Um escritor, dramaturgo e cineasta e um “proletário do teclado” e cronista. Discordam profundamente na maior parte dos temas. À segunda e quarta, às 9h15
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OE 2021. “Este é o ano zero da economia europeia”
OE 2021. “Este é o ano zero da economia europeia”

J. Lucas Pires

OE 2021. “Este é o ano zero da economia europeia”

14 out, 2020 • Marta Grosso (moderação do debate)


Jacinto Lucas Pires e Henrique Raposo debatem o Orçamento do Estado ontem apresentado. “Acho importante que o pensamento em relação às pensões comece a ter em atenção não apenas o aqui e agora”, sublinha Raposo.

“O Governo tem de decidir rapidamente que parceiros é que quer e que acordo é que quer, senão a negociação [sobre o Orçamento do Estado] vai esticar-se até ao último momento”, avisa Francisco Lucas Pires no espaço de comentário das Três da Manhã, nesta quarta-feira.

“Não pode fazer um Orçamento que queira satisfazer gregos e troianos, porque arrisca-se a que nem gregos nem troianos fiquem satisfeitos”, sublinha, criticando a mensagem de “clima de emergência nacional” passada pelo Governo com a eventual intenção de passar o documento sem grande dificuldade.

“Mas esse clima também é um argumento para se pedir um Orçamento mais arriscado, mais ousado que leve mesmo a uma transformação – isto à esquerda e à direita”, defende Lucas Pires, para quem “este é o ano zero da economia europeia”.

“Se não mudamos agora, se não ousamos agora a transformação, continuamos a ser a China da Europa, não qualificados, com salários baixos”, alerta.

Henrique Raposo concorda e critica a esquerda (Bloco de Esquerda e PCP) por “pedir dinheiro para se ajudar aqui e agora”.

“Se estivessem a pedir dinheiro para projetar o futuro ok, mas o que o Bloco de Esquerda e o PCP estão a debater é dinheiro para os problemas de agora. Não se resolve as coisas assim”, afirma.

É nesse sentido que o comentador alerta também para a importância de se salvaguardar as pensões de quem se vai reformar daqui a 10, 15 ou 20 anos.

“Eu percebo que é duro as pessoas ouvirem que não vão ter aumentos nas suas pensões aqui e agora, mas a Segurança Social está obviamente falida e a capacidade de pagar boas pensões – ou seja, pensões calculadas perto dos 100% do rendimento da pessoa – depende da nossa capacidade de chegarmos à dívida dos mercados de capital internacional. E com a nossa dívida, isso também é muito difícil”, aponta.

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