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Fátima

D. José Ornelas: nem manipulações populistas nem egoísmos conflituosos. A pandemia exige soluções para todos

13 out, 2020 - 11:51 • Aura Miguel

A celebração aniversária de outubro pôs em evidência algumas feridas do nosso tempo. Na homilia da missa, o bispo de Setúbal partilhou algumas preocupações com os fiéis presentes, espalhados pelo recinto com grande distanciamento para evitar riscos de contágio.

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“Vivemos num tempo em que movimentos populistas manipulam a nostalgia do passado, o medo real ou imaginário, o perigo do estrangeiro e do que pensa diferente, a ganância de possuir e dominar e até modelos religiosos para os seus interesses”, disse D. José Ornelas nesta terça-feira.

Numa celebração aniversária marcada pelos efeitos da pandemia, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa denunciou os que “constroem muros, exacerbam nacionalismos egoístas e conflituosos, que impedem que se chegue a consensos mundiais para encontrar soluções para os problemas de todos, como a pobreza, a injustiça, a guerra e a depredação do planeta, que coloca em perigo o futuro”.

D. José Ornelas deixou claro que “este não é o projeto de Deus nem o caminho que Maria nos indica para construir a Igreja e a casa de Deus”, uma vez que a pandemia veio “mostrar a necessidade de encontrar caminhos e soluções para todos”.

“Estamos no mesmo barco é só é possível salvar-se se todos colaborarmos para que todos se salvem”, sublinhou.

Uma Igreja capaz de acolher e mais feminina

O presidente da Conferência Episcopal aposta em igrejas como “lugares de relação e de comunhão”, com dioceses, paróquias e comunidades “como casas de Deus no meio da sociedade” e “pontos de referência e acolhimento de quem busca apoio, sentido de vida e esperança”.

Neste contexto, D. José Ornelas aponta a “presença feminina e materna de Maria” para sublinhar como o papel da mulher não é um facto secundário ou subsidiário perante o protagonismo masculino – elas não estão lá só para decoração! – mas como um importante elemento constitutivo da Igreja”.

Para o bispo de Setúbal, “acentuar o feminino e o materno não é apenas buscar um equilíbrio de poderes ou de influências na organização funcional da Igreja. Trata-se de mudar de paradigma: a liderança eclesial não está fundada sobre a ideia de poder, mas na vida, no cuidado e no serviço”.

Por isso, “valorizar o papel da mulher contribui decisivamente para a valorização dos ministérios na Igreja, hoje demasiado concentrados nos ministérios ordenados”, afirmou.

A Peregrinação Internacional Aniversária de outubro termina nesta terça-feira, no Santuário de Fátima. A celebração começou na segunda-feira e é presidida pelo bispo de Setúbal e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, José Ornelas.

Pela primeira vez, devido à pandemia de Covid-19, foi definida uma lotação máxima de peregrinos no recinto (seis mil pessoas), que não chegou a ser atingida.

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