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Cineclube do Porto celebra 75 anos com clássicos e curso de cinema português

09 out, 2020 - 12:05 • Lusa

A 24 de outubro estreia a cópia restaurada de "O Auto da Floripes", um filme produzido pela secção experimental do Cineclube em 1962 e agora recuperado em parceria com a Cinemateca.

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O Cineclube do Porto celebra os 75 anos de existência até ao fim do ano com uma programação que inclui a exibição de vários clássicos, de "O Auto da Floripes" a "Gabinete do Dr. Caligari", entre outras propostas.

Inicialmente adiadas devido à pandemia de covid-19, as iniciativas que celebram o aniversário do mais antigo cineclube português decorrem agora no último semestre do ano, com um cine-concerto, o lançamento de um livro sobre a história da instituição e um curso sobre história do cinema português como principais destaques.

O livro "75 Anos: Cineclube do Porto", editado em português e inglês, compila "o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela entidade" e textos de nomes como José Manuel Costa, Paulo Cunha, José Alberto Pinto ou Marta Reis.

Um ciclo intitulado "Sete e meio" leva à Casa das Artes uma série de filmes representativos de cada década de existência do Cineclube, apresentados por figuras do cinema e da cultura da cidade.

Serão exibidos filmes de Orson Welles, que arranca o programa a 17 de outubro com "The Magnificent Ambersons", Chris Marker, Jean-Luc Godard, Francis Ford Coppola, Pedro Costa ou Alexander Sokurov, num ciclo que se estende até maio de 2021.

No dia 24 de outubro, um sábado, Jaime Neves orienta um curso de seis horas dedicado à história do cinema português, de Aurélio Paz dos Reis e a Invicta Filmes até à geração atual, aqui apelidada de "Geração Curtas".

No mesmo dia, pelas 18h00, estreia-se a cópia restaurada de "O Auto da Floripes", um filme produzido pela secção experimental do Cineclube em 1962 e agora recuperado em parceria com a Cinemateca.

Foi rodado em três freguesias de Viana do Castelo, cuja câmara municipal também apoiou a recuperação, entre 1958 e 1962, parte de uma peça de teatro popular como mesmo título e apresenta uma visão experimental sobre o cinema.

Outros destaques prendem-se com a exibição, na Casa Museu Manoel de Oliveira em Serralves, de "Acto da Primavera", um filme de 1963 e que aqui é exibido enquanto paralelo com "Floripes", que terá também uma edição em DVD.

O centenário de "O Gabinete do Dr. Caligari" é assinalado com uma sessão no dia 22 de outubro, também por ser, segundo comunicado daquela associação, "um dos filmes mais vistos ao longo dos 75 anos", com música ao vivo de Haarvöl.

Nas comemorações de três quartos de século, a atual presidente da direção, Joana Canas Marques, garantiu à Lusa, em abril, que o Cineclube deixa à cidade "uma mensagem de resistência e vitalidade", por um lado por "uma associação com tantos anos em cima, que necessita continuamente de um conjunto de pessoas que a renovem" e, por outro, precisamente pela capacidade de "atrair novas gerações", dado o "legado tão forte e importante no contexto do cinema na cidade do Porto".

Em 1945, o sócio-fundador do cineclube Hipólito Duarte dava conta da criação de uma instituição, hoje o cineclube mais antigo do país, que precisou de "sacrifícios de meia dúzia de carolas". "Para o manter serão precisos os sacrifícios de todos os verdadeiros amigos do cinema", acrescentou então, no primeiro número de "O Boletim".

Hoje, esta frase "ainda é válida, porque todos os movimentos associativistas têm esta questão do sacrifício", e o espírito da fundação, nascido no seio de um grupo de amigos do liceu, mantém-se.

Segundo dados disponibilizados pelo Cineclube, hoje em dia são cerca de 200 os sócios ativos e as sessões regulares, a uma média de 100 por ano, atraem "uma afluência média anual de mais de 5.500 espectadores", além de parcerias, ao longo dos anos, com festivais como o Beast, dedicado no Porto ao cinema da Europa de Leste, ou a Semana do Cinema Português na Lituânia, em 2019.

Outro trabalho levado a cabo desde 2014 prende-se com a recuperação e restauro do acervo, entregue a várias instituições no país, que inclui filmes originais, serigrafias de Alice Sousa, Armando Alves ou Ângelo Sousa ou um par de lunetas de Aurélio Paz dos Reis, entre mais de cinco mil entradas.


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