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Papa dedica Carta Apostólica a São Jerónimo, a “Biblioteca de Cristo”

30 set, 2020 - 11:57 • Aura Miguel

Com o título “Scripturæ Sacræ Affectus”, Francisco valoriza a sabedoria de São Jerónimo no XVI centenário da sua morte.

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“Verdadeiramente Jerónimo é a ‘Biblioteca de Cristo’, uma biblioteca perene que, passados 16 séculos, continua a ensinar-nos o que significa o amor inseparável do encontro com Palavra de Deus”, lê-se na Carta Apostólica do Papa.

Francisco recorda o grande amor do santo pela Sagrada Escritura. “O afeto à Sagrada Escritura, um terno e vivo amor à Palavra de Deus escrita é a herança que São Jerónimo, com a sua vida e as suas obras, deixou à Igreja. Tais expressões, tiradas da memória litúrgica do Santo, dão-nos uma chave de leitura indispensável para conhecermos, no XVI centenário da morte, a sua figura saliente na história da Igreja e o seu grande amor a Cristo”.

Modelo para muitos

“Para uma plena compreensão da personalidade de São Jerónimo – explica o Papa – é necessário combinar duas dimensões características da sua existência: por um lado, a consagração absoluta e rigorosa a Deus, renunciando a qualquer satisfação humana, por amor de Cristo crucificado (cf. 1 Cor 2, 2; Flp 3, 8.10); por outro, o empenho assíduo no estudo, visando exclusivamente uma compreensão cada vez maior do mistério do Senhor. É precisamente este duplo testemunho, admiravelmente oferecido por São Jerónimo, que se propõe como modelo, antes de tudo, para os monges, a fim de encorajar quem vive de ascese e oração a dedicar-se ao labor assíduo da pesquisa e do pensamento; e, depois, para os estudiosos a fim de se recordarem que o conhecimento só é válido religiosamente se estiver fundado no amor exclusivo a Deus, no despojamento de toda a ambição humana e de toda a aspiração mundana”.

São Jerónimo conseguiu ‘inculturar’ a Bíblia na língua e cultura latinas, por isso o Papa valoriza o seu trabalho de tradução como ”um paradigma permanente para a ação missionária da Igreja”, com vestígios “bem visíveis e o seu conteúdo simbólico e rico de imagens, tornando-se um elemento criador de cultura”.

Biblioteca de Cristo

Nesta Carta, o Papa elogia São Jerónimo, que “não poupou esforços para enriquecer a sua biblioteca, vendo nela um laboratório indispensável para a compreensão da fé e para a vida espiritual; e, nisto, constitui um exemplo admirável também para o presente”.

E conclui: “Verdadeiramente Jerónimo é a ‘Biblioteca de Cristo’, uma biblioteca perene que, passados dezesseis séculos, continua a ensinar-nos o que significa o amor de Cristo, um amor inseparável do encontro com a sua Palavra”.

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