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Pandemia de Covid-19

Erro humano. Hospital de Lisboa permitiu entrada a pessoas sem máscara

24 set, 2020 - 06:47 • João Cunha

A situação contraria as determinações da Direção-Geral da Saúde e foi testemunhada por um utente. O episódio mereceu uma reclamação e o hospital já veio garantir que não se volta a repetir.

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Num dos principais hospitais privados de Lisboa foi autorizada a circulação de pessoas sem máscara.

A mulher de João Carreiro está grávida e é seguida no Hospital da Luz. Esta semana, João teve de a acompanhar, perto das seis da manhã, às urgências. Enquanto a mulher era assistida, esperou junto a uma das entradas principais. E não quis acreditar no que via.

"Comecei a ver várias pessoas a entrar sem máscara. E, às sete e pouco da manhã, dirigi-me ao segurança e disse-lhe que a situação me deixava desconfortável. Que não queria arranjar problemas a ninguém, mas que lhe pedia se ele podia ter mais atenção", conta à Renascença.

A maior surpresa veio com a resposta que lhe foi dada: “Disse que estava a cumprir ordens, que quem tinha entrado eram funcionários do hospital, que não eram controlados e entravam como queriam. E que os utentes que fossem para as urgências, se não tivessem máscaras, eles não tinham máscaras para dar até às sete e meia da manhã".

Quando as pessoas perguntavam ao segurança se podiam entrar sem máscara, ele referia que sim, que podiam. "E elas foram sem máscara para as urgências", relata o utente.

João Carreiro não entende que seja possível a um utente entrar sem qualquer proteção. Muito menos que tal seja permitido a colaboradores do hospital, que estarão em contacto com os utentes. E achou no mínimo estranhas as justificações dadas – sobretudo a que se referia à aplicação do plano de segurança da Covid-19 apenas em algumas horas do dia.

"A urgência está aberta 24 horas e as regras funcionarem só num período do dia não faz qualquer sentido. São as pessoas em quem confio que têm mais cuidado [os funcionários] e vi que entram ali sem qualquer atenção".

Face à situação, e indignado que estava, reclamou e chamou as autoridades. Preencheu uma queixa no livro de reclamações e chamou a PSP.

"Mas, eventualmente por não terem uma viatura disponível", os agentes tardavam em chegar. Pela situação da esposa, que entretanto saiu das urgências, João Carreiro deixou o hospital quase às oito da manhã.

Erro humano

Confrontado com esta situação, o hospital não nega que tenha ocorrido e deixa entender que tudo não terá passado de um mal-entendido, que provocou um “erro humano”.

Em declarações à Renascença, Pedro Libano Monteiro, administrador executivo do Hospital da Luz, garante que não voltará a repetir-se e que a segurança tem máscaras para fornecer a utentes e colaboradores. Só que não fez cumprir o que está estabelecido.

"Nós somos muitos, temos muitas pessoas que entram diariamente no hospital, e isto é um trabalho quotidiano de uma equipa grande", começa por sublinhar.

Numa situação destas, "individualmente, as pessoas são alertadas e, em conjunto, entre as várias equipas, é de novo reforçada a importância do cumprimento estrito das regras de segurança implementadas desde março" – que o administrador garante que se fazem cumprir.

Foi isso que foi feito e será sempre feito, diz. "Todas as pessoas, utentes e colaboradores devem sempre usar sempre a máscara e é obrigatório o seu uso dentro das instalações".

E a medida tem dado frutos. "Temos tido um sucesso muito grande, porque não temos tido infeção dentro do hospital, que é um lugar seguro". De resto, lembra que mais seguro estar dentro dos hospitais, neste quadro de pandemia, "devido às regras que têm sido introduzidas".

As regras têm de ser cumpridas, à risca, porque o não cumprimento das mesmas pode deitar por terra todo um trabalho que tem vindo a ser feito nesta e em outra qualquer instituição, refere por fim Pedro Libano Monteiro.

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