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Reportagem transportes

Pouca oferta e muitos ajuntamentos nos comboios da linha do Douro. Utentes "não têm alternativa”

23 set, 2020 - 13:00 • Inês Rocha

A afluência nos comboios da linha do Marco de Canaveses vai variando de dia para dia - mas os passageiros habituais queixam-se que, principalmente quando se aproxima do Porto, manter o distanciamento é quase impossível. Com o regresso à escola e ao trabalho, a situação tem piorado.

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As críticas repetem-se, entre aqueles que andam diariamente na linha do Marco, da CP, que une Marco de Canaveses ao Porto. Comboios muito cheios, pouca frequência e dificuldade em manter o distanciamento social - é este o cenário que descrevem os passageiros mais frequentes, principalmente desde que as escolas reabriram.

A Renascença fez esta viagem de comboio, às 7:54, esta quarta-feira. O que encontrou foi um pouco diferente - um dia atípico, talvez devido à chuva, descrevem aqueles que normalmente fazem este percurso em hora de ponta - os dias não são todos iguais.

Àquela hora da manhã, o comboio parte silencioso, em direção ao Porto. Apenas meia dúzia de pessoas se espalham pela carruagem. Uma delas é Laurinda Oliveira. Como todos os dias, está a caminho do call center onde trabalha, no Porto.

À Renascença, diz que nos últimos 15, 20 minutos da viagem, o comboio enche quase sempre.

“Enche, é normal. Porque não há tantos comboios como devia haver e não há autocarros para as saídas, não há uma rede que esteja apoiada nos horários das pessoas que utilizam os transportes públicos. Devia haver menos tempo de espera, mais comboios e mais autocarros”, considera.

“As pessoas não têm alternativa. Se o comboio atrasar, não há transporte seguido. Há com intervalos de 20, 25 minutos. Devia haver menos tempo de espera”.

Estes intervalos acontecem na hora de ponta. No resto do dia, os comboios partem de hora a hora.

Diariamente, partem 40 comboios na linha do Marco em direção ao Porto, sendo que 14 partem de Penafiel, oito paragens mais à frente.

A falta de oferta, que leva a ajuntamentos diários, faz com que André Araújo, 33 anos, raramente ande de comboio. Habitualmente confia no carro, onde se sente mais seguro. Mas hoje precisa de ir ao centro do Porto em trabalho e sabe que o estacionamento gratuito é praticamente inexistente.

“Normalmente escolho o carro porque tenho informação de que o comboio tem tido bastante afluência. Portanto não arrisco, vou de transporte particular”.

A solução para o problema, na visão de André, seria reforçar a oferta - “ou colocavam mais carruagens ou mais comboios”.

Maria Ferraz concorda que a oferta de transportes, para os habitantes do Marco de Canaveses, não é a melhor. Esta reformada com 67 anos usa de vez em quando o comboio para ir ao médico ou às compras.

“Não me sinto muito segura, tenho receio de contagiar outros ou que outros me contagiem. Já tenho 67 anos, já sou uma pessoa de risco”, diz à Renascença.

“Do Marco não há muita oferta. Só aquelas horas, e há muita gente que não tem carro. Os transportes não são suficientes”, garante.

Questionada pela Renascença, a Comboios de Portugal (CP) adianta que implementou uma “operação massiva de limpeza e desinfeção de instalações e de material circulante”, e que repôs a oferta de comboios urbanos e regionais a 100%, no dia 4 de maio de 2020.

Sobre a procura, a CP diz que continua a registar quebras superiores a 40%, face ao período homólogo anterior.

Admite, ainda assim, que, “pontualmente, em alguns comboios e em horários de maior procura, se registaram taxas de ocupação superiores”. No entanto, o reforço é feito sempre "dentro dos limites do material circulante existente".

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