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Passageiros da CP queixam-se que é impossível cumprir distanciamento social. “Tem estado um caos em todo o lado”

23 set, 2020 - 13:00 • Sofia Freitas Moreira

A Renascença percorreu algumas linhas urbanas da CP, em Sintra e Lisboa, onde os comboios cheios são uma constante das horas de ponta. Com o regresso ao trabalho e às aulas, a situação tem piorado. Em tempos de pandemia, os passageiros, que não descuidam o uso da máscara, queixam-se principalmente da falta de espaço para se fazer cumprir o distanciamento social.

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São 7h25 de mais uma manhã chuvosa de setembro e o comboio que segue em direção ao Rossio, em Lisboa, já vai cheio.

Começa mais um dia de trabalho para centenas de passageiros que, com as máscaras postas, tentam ao máximo manter o distanciamento social. “É impossível, está muita gente”, relata uma das passageiras à Renascença.

Isilda António é de Moita dos Ferreiros, no concelho da Lourinhã, e, todos os dias, apanha um autocarro para o Campo Grande, onde apanha o metro em direção a Entrecampos. Daí, ainda vai de comboio até Queluz, onde trabalha. “Tem estado um caos em todo o lado”, descreve.

“Comecei a usar os comboios em agosto. Estava pouca gente, ainda era tempo de férias. Agora que começou o trabalho, em setembro, tem estado muita gente. Não estamos mesmo a conseguir manter o distanciamento social”, queixa-se a esteticista à Renascença.

Em declarações à Renascença, a CP revela que, em dias úteis, realiza cerca de 660 circulações diárias de comboios urbanos de Lisboa, num universo de mais de 1.320 circulações diárias em todos os seus serviços.

O regresso ao trabalho e às aulas é sinónimo de maior lotação nos transportes públicos. A Renascença viajou entre as estações de Sintra e Entrecampos, em Lisboa. O cenário é típico da hora de ponta. O comboio vai cheio, mas não se vê um único rosto destapado.

Dulce Almeida é enfermeira e nunca deixou de usar o comboio para chegar ao local de trabalho. Entra em Massamá e sai em Entrecampos, todos os dias.

À Renascença, diz que “tem sido difícil cumprir as regras”, apesar de achar que todos os passageiros respeitam, pelo menos, a regra obrigatória do uso de máscara.

Viviane Ribeiro sente mais a sobrelotação de pessoas quando regressa a casa, ao final do dia. A técnica administrativa diz que “por volta das 19h”, quando regressa, o comboio “costuma estar bem cheio”. Vive na Amadora, uma zona que diz ser “sempre mais complicada” em termos de transportes.

Há quem evite as horas de maior fluxo de pessoas e que tenha até trocado de horários de trabalho por isso mesmo. É o caso de Débora Pereira, uma lojista com quem a Renascença falou na estação de Benfica.

Ao contrário do que outros passageiros descrevem, Débora diz que tem sentido menos afluência de pessoas em setembro, comparado com o mês anterior.

“Vejo menos pessoas no mesmo comboio, mas o distanciamento social é difícil de cumprir na mesma”.

As críticas multiplicam-se e o ponto principal é quase sempre o mesmo. Faltam comboios para que se cumpra o devido distanciamento social nas horas de maior lotação de passageiros.

Questionada pela Renascença, a Comboios de Portugal avança que instalou uma “operação massiva de limpeza e desinfeção de instalações e de material circulante” que repôs, ainda, a oferta de comboios urbanos e regionais a 100%, no dia 4 de maio de 2020.

A empresa diz que continua a registar quebras na procura superiores a 40%, face ao período homólogo anterior.

Admite, ainda assim, que, “pontualmente, em alguns comboios e em horários de maior procura, se registaram taxas de ocupação superiores”.
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