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Venezuela

Partido de Maduro apela à denúncia de pessoas com sotaque estrangeiro

23 set, 2020 - 06:15 • Lusa

“Alerta máximo”, pediu o segundo homem mais forte do “chavismo”. Diosdado Cabello acredita que os EUA estão a preparar uma onda de violência no país por altura das eleições de 6 de dezembro.

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O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), o partido do Governo do Presidente, Nicolás Maduro, apelou, na terça-feira, aos venezuelanos, que informem sobre a presença no país de pessoas com sotaque estrangeiro.

O pedido foi feito pelo vice-presidente do PSUV e presidente da Assembleia Constituinte (composta unicamente por simpatizante do regime), durante uma conferência de imprensa em Caracas, na qual esteve acompanhado pelo ex-ministro de Comunicação e Informação, Jorge Rodríguez.

“Alerta máximo, redobrar os esforços nos próximos 75 dias até 6 de dezembro, [para quando estão marcadas as eleições legislativas], em cada rua e comunidade, e informar de maneira imediata sobre a chegada de pessoas que não sejam dessas ruas, que não sejam dessas comunidades, sobre pessoas que tenham sotaque estrangeiro”, pediu Diosdado Cabello.

Cabello, que é tido como o segundo homem mais forte do 'chavismo', explicou que “os organismos de ‘inteligência’ [serviços de informação] detetaram movimentos que indicam que vão gerar violência, atacar os centros de Petróleos de Venezuela SA [PDVSA, empresa petrolífera estatal], de eletricidade, de água”.

“Queremos alertar ao grande Polo Patriótico (aliança de partidos afetos ao regime), mas especialmente a todo o povo venezuelano, aos movimentos sociais e às Unidades de Batalha Hugo Chávez” (Ubch, grupo de luta popular filiados no PSUV, criados para defender a revolução, com fins políticos e militares), disse.

Diosdado Cabello vincou: “Temos informação precisa que parte das instruções dadas pelo senhor Mike Pompeo [durante o recente périplo do secretário de Estado dos EUA à Guiana, Brasil e Colômbia] aos lacaios próximos de nós é gerar violência no nosso país, trazer à Venezuela a violência da Colômbia”.

“Depende de nós, da ‘inteligência social’ [serviços de informação popular], do nosso povo (...). Cada movimento estranho num setor deve ser informado de imediato”, frisou.

No sábado, o Presidente da Venezuela disse que o secretário de Estado norte-americano fracassou na “viagem de guerra” que realizava pela América do Sul.

“Mike Pompeo anda numa viagem ‘guerreirista’ contra a Venezuela, mas saiu-lhe o tiro pela culatra e (...) fracassou em todas as suas tentativas de pôr os governos do continente a organizarem-se numa guerra contra a Venezuela", afirmou Nicolás Maduro à televisão estatal venezuelana.

O Presidente alertou que “a direita macabra, terrorista, golpista e o Governo dos Estados Unidos ativaram planos para perturbar seriamente a paz na Venezuela”.

Por isso, pediu à Milícia Nacional Bolivariana (MNB) que esteja “cada vez mais pronta, para defender a soberania e integridade territoriais” do país, e ao povo venezuelano “mil olhos e mil ouvidos”, pois “os inimigos da Venezuela estão numa fase de desespero porque a Venezuela vai consolidar a paz”.

“Deve garantir-se que os milicianos tenham acesso a armas para defender a nação, a treinos nas suas próprias paróquias (…), devemos apoiar mais a milícia em tudo”, defendeu.

Nicolás Maduro voltou a insistir que mesmo que “chova, troveje ou relampagueie haverá eleições em 6 de dezembro” e que a Venezuela estará “prevenida perante tentativas de ataques nesse dia”.

O chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, insistiu na sexta-feira, na Guiana, que o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, “deve sair” da cena política.

O Governo dos EUA não reconhece Maduro como Presidente da Venezuela desde 2013, tendo, em 2018, reconhecido legitimidade ao líder da oposição Juan Guaidó como Presidente interino e insistido na necessidade de novas eleições “livres e democráticas”.

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