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"Milagre" sueco?

Suécia pondera restrições em Estocolmo para travar aumento de infeções por Covid-19

22 set, 2020 - 16:05 • Reuters

Os cerca de 1.200 novos casos detetados na Suécia desde sexta-feira, em comparação com os 200 diários das semanas anteriores, não se explica apenas pelo aumento de testes, defendem autoridades de saúde.

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A Suécia, que desde a chegada da pandemia de Covid-19 ao seu território decidiu não recorrer ao confinamento para travar a propagação do vírus, está a lidar com os primeiros sinais de uma subida a pique no número de infeções.

As autoridades de saúde avisaram esta terça-feira que medidas mais restritivas podem vir a ser impostas na capital, Estocolmo.

A estratégia da Suécia tem passado por apostar na responsabilidade individual ao invés de declarar emergência e optar por um confinamento feral. Durante a primavera, o país foi criticado pelo aumento do número de mortos por Covid-19, mas mais recentemente foi aplaudida por funcionários da Organização Mundial de Saúde (OMS) pelo que dizem ser um modelo sustentável de combate à pandemia.

Durante o verão, o número de novas infeções caiu significativamente e, até agora, a Suécia tem conseguido evitar grandes picos de novos casos, ao contrário do que está a acontecer em Espanha, França e no Reino Unido desde o início de setembro.

Contudo, os cerca de 1.200 novos casos e cinco mortos por Covid-19 registados desde sexta-feira marcam um salto em comparação com cerca de 200 casos por dia diagnosticados das últimas semanas.

Este aumento de novos casos, indicou hoje a Agência de Saúde Pública da Suécia, não pode ser explicado apenas pelo reforço da testagem dos cidadãos.

"A média móvel [de novas infeções] aumentou um pouco", referiu Anders Tegnell, chefe da equipa de epidemiologistas suecos que preparou a estratégia de combate à pandemia no país, em conferência de imprensa. "Isto ainda não afetou o sistema de saúde. O número de novos casos nas Unidades de Cuidados Intensivos continua baixo e o número de mortos continua baixo."

Tegnell diz que novas restrições não devem ser excluídas para a capital se os números continuarem a aumentar. "Estamos em discussões com Estocolmo sobre se é preciso introduzir medidas que reduzam a propagação do vírus. Sobre as medidas específicas a serem aplicadas falaremos nos próximos dias."

O aviso chegou após o diretor de Serviços Médicos e de Saúde da capital ter avisado esta manhã que a região de Estocolmo está a registar um elevado aumento de casos.

"A tendência decrescente acabou", avisou Björn Eriksson em conferência de imprensa. "Só podemos esperar que isto seja um soluço, que a propagação [da Covid-19] comece a decair outra vez. Isso depende de quão bem seguimos as diretivas."

Desde a chegada da pandemia à Suécia, em março, foram registadas 5.780 mortes, um número per capita muito mais elevado do que nos vizinhos nórdicos, mas ainda assim inferior ao registado noutros países europeus que optaram por confinamentos agressivos, como Espanha e Itália.

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