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​Sargentos denunciam “clima de medo e insatisfação nas Forças Armadas”

21 set, 2020 - 13:05 • Ana Rodrigues

Denúncias feitas na Renascença pelo presidente da Associação Nacional de Sargentos.

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O presidente da Associação Nacional de Sargentos (ANS), Lima Coelho, diz que se vive um “clima de medo e insatisfação nas Forças Armadas”.

Ameaças, avaliações injustas, demora excessiva das reclamações e pressões. Tudo isto está, segundo Lima Coelho, “a acontecer no seio das Forças Armadas”.

Em declarações à Renascença, Lima Coelho diz que “há claramente um clima de medo na instituição militar decorrente do Regulamento da avaliação do Mérito dos Militares das Forças Armadas, que entrou e vigor a 1 e Fevereiro de 2018 e que tem sofrido desde 2015 forte contestação por parte da ANS desde 2015”

Este representante dos sargentos garante que “quando os militares não concordam com a avaliação atribuída e recorrem, como é do seu direito, é -lhes dito para não o fazerem para não prejudicarem a próxima avaliação”.

“Uma clara intimidação”, acrescenta o presidente da ANS, “já que os militares ficam com medo de represálias por parte dos seus superiores hierárquicos”.

“Para alem disso “, garante “quando eles decidem avançar para o recurso da avaliação, há uma demora excessiva na resposta aos requerimentos e exposições endereçadas aos respetivos chefes dos ramos”.

“Havendo mesmo situações com mais de um ano sem resposta”, acrescenta Lima Coelho.

Esta é uma situação que a ANS considera de “extrema gravidade, tendo em conta que o governo não deu ouvidos ás recomendações da Assembleia da Republica e o Presidente da República, apesar de estar a par da situação opta por nada fazer”.

Comentários
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  • Pedro Santos
    22 set, 2020 Vimioso 12:46
    A mim aconteceu-me... Fui avaliado por um militar que estava a desempenhar funções onde não devia, por ser de especialidade diferente à qual o cargo exigia... Mas como estava nas graças do oficial em comando, lá se vingou na avaliação que me fez e do camarada a seguir a mim, sendo que os outros mais modernos tiveram notas supra inflacionados, só para terem hipótese de ultrapassar-nos. Feita a reclamação, que de nada adiantou, fui ameaçado pelo Tenente - Coronel, em frente ao Sargento-Mor das consequências que iria enfrentar... mais vale sair do Ramo enquanto tenho hipótese de ir para a vida civil.
  • Zeca
    21 set, 2020 Lisboa 22:50
    Para que um militar "caia em graça" junto do seu chefe, é de facto uma coisa extraordinária, já que nenhum militar devia aceitar benefícios ou vantagens, provenientes de injustiças e discriminações, baseadas ou favorecidas, em relações pessoais e amiguismos de ocasião, durante a sua atividade profissional. É uma questão de bom senso, mas também é fruto de uma má formação ética e falta dos valores morais, contrárias à Instituição. Nem todos somos iguais e alguns, trazem no seu ADN, genes camaleónicos. Sabem como em determinadas situações as relações pessoais contam mais do que o perfil e competências técnicas, para uma futura promoção ou progressão (baseado num sistema de avaliação desde sempre muito contestado). Correspondendo ao conceito da dissimulação, dizer que alguns "atores" juntos dos seus "camaradas," são muito críticos com os comandantes, mas depois quando estão na sua presença, são bons convivas e bem falantes "inteligentes" e cultos em alguns métodos e calculistas num dado objetivo, o tempo faz o resto. Mas isso só é possível acontecer pela falta de personalidade e de qualidade dos chefes.????numa Instituição fragilizada pela falta de efetivos, pelo excesso cada vez mais, do culto do individualismo (vestem a mesma farda, mas não existe camaradagem, em virtude da competição inter-pessoal instalada) e pela imagem negativa (por ser considerada desnecessária) junto da opinião pública.
  • Manuel
    21 set, 2020 Lisboa 18:22
    Nada de novo, infelizmente é o que se anda a trilhar nas fileiras. Dividir as pessoas por misérias décimas criadas por fatores fora do alcance e incontroláveis por eles mesmos. Há que caia em graça e outros são os desgraçados. Mas nem sempre os desgraçados são os piores nas suas funções, apenas não caíram em graça dos seu chefe.... Não é culpa dos políticos, as chefias militares é que têm de ter a coragem e o espírito de corpo necessário para travar esta chacina. Por razões pessoais, não tem....