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Regresso às aulas (a meio gás)

Filinto Lima: “Gostava que a sociedade adotasse as regras das escolas. Ajudava a conter a pandemia”

14 set, 2020 - 07:00 • João Carlos Malta

Esta segunda-feira marca o início do ano escolar, mas o período de reabertura prolonga-se até dia 17 de setembro, quinta-feira. Como é normal, a maioria abrirá no fim do prazo. Será um ano diferente e com muitos desafios. Saiba tudo sobre o que muda nas escolas em tempos de pandemia.

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É um ano letivo muito diferente o que esta segunda-feira começa nas escolas portuguesas. Aos livros, cadernos e canetas e máscaras, juntam-se este ano o álcool gel e as máscaras. Mas essa é apenas a ponta do iceberg das mudanças que crianças e jovens vão viver no dia a dia.

Ainda assim, hoje deverão ser poucas as escolas a reabrir. Todos os anos, o Ministério da Educação dá às escolas um período para o início das aulas - este ano é de 14 a 17 de setembro.

“As escolas naturalmente escolhem o último dia. Os professores e as escolas têm uma série de trabalho burocrático, como reuniões do conselho pedagógico, do conselho geral, planificações que têm de ser elaboradas. A maior parte arranca no dia 17, mas algumas arrancam amanhã”, afirma o presidente da Associação Nacional de Diretores de agrupamentos de escolas públicas, Filinto Lima.

“É normal, não se pense que tem alguma coisa a ver com o Covid. Habitualmente, as escolas abrem no último dia do prazo”, acrescenta.

Fonte do ministério da Educação esclarece à Renascença que foi dado este período de abertura para as escolas, e que no âmbito da autonomia que estas detêm, não são obrigadas a comunicar à tutela em que dia abrem. Assim, não há números oficiais das escolas que vão abrir durante o dia de hoje.

NÚMEROS DE NOVOS CASOS DE COVID-19

Filinto Lima diz que as escolas tudo fizeram para que os alunos e professores tivessem o máximo de segurança quando voltassem, mas alerta: “Não se pense que há risco zero.

“A escola está envolvida numa sociedade, não é uma bolha. Gostava é que a sociedade adoptasse as regras que nós vamos ter nas escolas. Ajudava a conter a pandemia”, adianta.

Sindicatos alerta para riscos

Esta não é a postura da Fenprof e do Sindicato de Todos os Professores (STOP). A confederação liderada por Mário Nogueira tem sido muito crítica.

Num comunicado da última sexta-feira, a Fenprof escreve que “foram dois meses que passaram sem que o Ministério da Educação (bem como a Direção-Geral da Saúde) estivesse disponível para reunir com a FENPROF, ouvindo as suas preocupações e propostas sobre as condições de abertura do ano letivo 2020/2021”.

“Agora, a três dias do início do período destinado à abertura, parece reinar a desorientação no Ministério da Educação, com a situação dos docentes integrados em grupo de risco para a Covid-19 a ser a que tem maior visibilidade, dada a gravidade do problema”, acrescenta, alertando para o caso dos professores que pretencem a grupos de risco.

A mesma Fenprof critica ainda a não adopção das mais elementares normas de prevenção da Covid-19, tais como “a realização de rastreios, a garantia de distanciamento físico adequado, a redução dos grupos/turma para reduzir contactos, a par da conhecida carência de pessoal auxiliar, dificultando a realização de todas as tarefas de limpeza e desinfeção, bem como de circulação e segurança no espaço escolar”.

O STOP o “Referencial Escolas – Controlo da transmissão de Covid-19 em contexto escolar”, elaborado pela DGS, alegando que este não responde às questões essências para garantir a segurança no regresso às aulas.

O STOP adianta que tem marcado um pré-aviso de greve para os primeiros dias de aulas caso não estejam garantidas condições de segurança que minimizem riscos de contágio de Covid-19.

Oposição critica

Os partidos da oposição, da esquerda à direita, foram unânimes em apontar atrasos ao Ministério da Educação na preparação do ano letivo, mas o Governo a garantir ter enviado no início de julho orientações a todas as escolas.

Para o PSD, o Ministério da Educação recorreu à “velha receita de empurrar para as escolas soluções de difícil operacionalização sem lhes confiar os instrumentos e recursos imprescindíveis”, críticas repetidas por todas as bancadas, à exceção das do PS e do Governo.

O Governo, através do secretário de Estado Adjunto e da Educação, João Costa, contrapôs: “É falso que tenhamos chegado tarde, há desde dia 3 de julho orientações das escolas”.

João Costa saudou a “ideia consensual” entre os partidos de que é necessário regressar ao ensino presencial, mas frisou que “a capacidade física das escolas não dobra por milagre” e o número de profissionais não aumenta “por geração espontânea”.

CASOS DE COVID-19 POR REGIÃO

Pais consideram regresso à escola "fundamental, mas com cuidado"
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Novas regras

Nas escolas as mudanças vão ser muito consideráveis. Será preciso manter o distanciamento social e o uso de máscara é obrigatório para professores, pessoal não docente e alunos a partir do 5.º ano, em todo o espaço escolar, inclusive nas salas de aula. Na Madeira a máscara é obrigatória para as crianças a partir dos seis anos.

Outra regra essencial é desinfetar as mãos, as mesas de trabalho, as cadeiras, respeitando sempre a regra de não partilhar nada.

As autoridades vão considerar que há um surto nos estabelecimentos de ensino quando forem identificados, pelo menos, dois casos de infeção com ligação entre si.

os alunos comprovadamente de risco vão poder aprender à distância, mediante pedido dos encarregados de educação. Trata-se de um alargamento da portaria que assegura o apoio aos alunos com doença oncológica, aprovado pelo Ministério da Educação.

Uma outra mudança é a criação de "bolhas". A ideia é que os alunos da turma contactam apenas entre si: partilham horários, a sala de aula, as mesas na cantina e um espaço específico do recreio durante os intervalos.

As idas à casa de banho só devem acontecer durante as aulas. Os intervalos são mais curtos e em alguns casos dentro da própria sala de aula. Tudo para evitar ajuntamentos e que as turmas se cruzem, reduzindo assim os contactos entre alunos.

As escolas estão a criar turnos para os almoços nas cantinas, outras recorrem ao sistema de "take away"; colam fitas para delimitar as áreas permitidas ou pintam setas no chão para definir o sentido de circulação.

É também recomendado que as salas sejam “amplas e arejadas”, que se mantenham janelas e portas abertas para circular o ar e evitar o contacto com maçanetas ou puxadores. Deve haver uma sala para cada turma e é sugerido que as mesas sejam dispostas com a mesma orientação, para que os alunos não fiquem alinhados de frente uns para os outros.

Como se readaptou uma das primeiras escolas com casos positivos de Covid-19?
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outros.

As orientações sugerem que, “sempre que possível”, seja mantido um distanciamento de, “pelo menos”, um metro dentro da sala de aula, o que tem motivado muitas críticas, justamente porque no limite, os alunos até podem ficar sentados lado a lado, até porque na maioria das escolas públicas, as mesas não são individuais.

O que se passa nos outros países?

Neste momento, olhar para outros países ajuda a perceber o que pode acontecer em Portugal. A Alemanha, Dinamarca, Noruega, França, Escócia e Israel, o regresso às aulas – que em quase todas as escolas de Portugal está marcado para o início da próxima semana – já aconteceu.

De acordo com um relatório do Centro Europeu de Controlo e Prevenção das Doenças (ECDC), de 6 de agosto, menos de 5% dos doentes infetados com Covid-19 têm menos de 18 anos; e a larga maioria que contrai a doença não apresenta sintomas.

Se o distanciamento físico e as medidas de higiene apropriadas forem implementadas, é pouco provável que as escolas sejam um ambiente de propagação que outros espaços de lazer com densidade populacional semelhante”, lê-se.

Por exemplo na Noruega, a reabertura das universidades está a provar-se um problema. As festas de receção aos novos estudantes estão a acontecer em número muito acima do esperado; a polícia não tem tido capacidade para dar resposta e desfazer os ajuntamentos. “As festas são divertidas, mas não se as pessoas ficam doentes e perderem os seus trabalhos ou tivermos de fechar a sociedade novamente”, veio já avisar Henrik Asheim, ministro norueguês do Ensino Superior.

Na Dinamarca, o número de casos no grupo etário dos 10 aos 29 anos tem vindo a aumentar. Nas últimas duas semanas, por cada dez novos infetados, quatro pertenciam a essa faixa etária.

Em Israel de acordo com o jornal Haaretz na quarta-feira, o presidente Benjamin Netanyahu está a ponderar impor um estado de emergência até ao final do mês, encerrando todos os serviços e escolas, devido ao aumento recente de casos.

Também na Alemanha, 15 dias depois da reabertura dos 825 estabelecimentos de ensino de Berlim, foram anunciados casos positivos de Covid-19 em 42 escolas; centenas de alunos e professores foram então obrigados a fazer quarentena.

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  • Ivo Pestana
    14 set, 2020 Funchal 12:04
    Concordo a 100%. O problema não está nas medidas e no combate, mas sim no incumprimento das pessoas. Existe muito desleixo.