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Ana Rocha de Sousa distinguida com Leão do Futuro e prémio especial do júri no Festival de Veneza

13 set, 2020 - 12:22 • Redação com Lusa

A realizadora portuguesa venceu o 'Leão de Futuro' e o prémio especial do júri 'Horizontes', em Itália, pela longa-metragem "Listen".

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A realizadora portuguesa Ana Rocha de Sousa venceu o prémio 'Leão de Futuro', de primeira obra, e o prémio especial do júri 'Horizontes' no Festival de Cinema de Veneza, em Itália, pela longa-metragem "Listen", foi anunciado no sábado.

De acordo com o festival italiano, que terminou no sábado, "Listen" foi distinguido com o prémio 'Leão do Futuro - Luigi De Laurentiis', no valor de 100 mil dólares (84,4 mil euros), e Ana Rocha de Sousa recebeu ainda o prémio especial do júri da secção competitiva 'Horizontes'.

A realizadora afirmou à agência Lusa, este domingo, que os prémios conquistados significam que "valeu a pena a luta" para estar atrás das câmaras.

"Nunca pensei, nunca pensei. Para mim é indescritível. Existem sempre momentos em que podemos estar sozinhos em casa a pensar 'eu podia fazer tanta coisa, se calhar não vou conseguir'. O importante é não desistir, eu estive para desistir, mas não desistam, independentemente de quais forem as adversidades", disse a realizadora à Lusa, a partir de Veneza.

"Listen" é a primeira longa-metragem da atriz e realizadora Ana Rocha de Sousa e a narrativa inspira-se em factos reais. É um drama familiar de uma família portuguesa emigrada no Reino Unido, a quem os serviços sociais lhe retiram os três filhos menores, por suspeita de maus tratos.

Em entrevista à agência Lusa dias antes da estreia mundial do filme em Veneza, a realizadora recuava a 2016 para falar da criação deste filme, depois de ter vivido e estudado em Londres, de ter sido mãe e de ter tomado conhecimento de casos de emigrantes que viveram aquele drama, retratado em "Listen".

"Não é de todo um filme contra ninguém em específico, mas pretende levantar questões; se não haverá outras formas de salvaguardar o superior interesse destas crianças e destas famílias para lá da adoção. (...) A grande dificuldade do tema são algumas definições demasiado subjetivas em termos legais que tornam o sistema [social] muito falível", contou.

Sobre a presença em Veneza, Ana Rocha de Sousa recordou a importância do festival: "Estar em Veneza trouxe muito visibilidade ao filme. Existirá um 'antes de Veneza' e um 'depois de Veneza'. Sou absolutamente grata ao facto de Veneza ter coragem de seguir e, de uma forma adaptada e nova, não deixar cair as coisas".

"Listen" tem coprodução luso-britânica, foi rodado nos arredores de Londres com elenco português e inglês, encabeçado por Lúcia Moniz, Ruben Garcia e Sophia Myles. Chegará aos cinemas portugueses em 2021.

Na sexta-feira, o filme da realizadora portuguesa foi distinguido com o prémio Bisato d'Oro de melhor realização e o prémio "Sorriso Diverso Venezia, pela "abordagem às questões sociais", ambos galardões paralelos do festival.

Ana Rocha de Sousa, 41 anos, entrou no cinema pela porta da representação, sobretudo em ficção televisiva, como "Riscos", "A raia dos medos", "Morangos com açúcar" e "Jura", e passou para o outro lado da câmara a realizar curtas-metragens. Atualmente prepara uma nova longa-metragem.

"Listen" tinha sido selecionado para a secção competitiva "Horizontes" do festival, na qual estava também a curta-metragem "The Shift", de Laura Carreira.

Nesta secção, o prémio de melhor curta foi para "Entre tú y milagros", de Mariana Saffon.

“Absolutamente incrível e fora do normal”

O produtor português Rodrigo Areias considerou "absolutamente incrível e fora do normal" a atribuição de quatro prémios pelo Festival de Cinema de Veneza à realizadora Ana Rocha de Sousa, pela longa-metragem "Listen", que produziu.

"Para uma realizadora que faz um primeiro filme e ganhar um grande prémio, o prémio especial do júri é um privilégio grande, como é obvio. Estes prémios todos juntos acaba por ser uma coisa absolutamente incrível. Ganha dois 'leões' oficiais e dois prémios paralelos", afirmou o produtor à agência Lusa.

Rodrigo Areias recordou que decidiu produzir o filme por causa do argumento e "pela energia" da realizadora, e partiram depois à procura de financiamento e coprodução internacional no Reino Unido, onde Ana Rocha de Sousa estudou cinema.

"Por isso, na carreira de alguém que está a fazer uma primeira obra, [o reconhecimento de Veneza] marca claramente o percurso que ela irá fazer, sem dúvida nenhuma", disse o produtor português.

A 77.ª edição do Festival de Cinema de Veneza, que terminou no sábado, foi apresentada como um dos primeiros eventos internacionais a decorrer nos moldes tradicionais em tempos de pandemia da covid-19, depois de meses de paralisação da atividade cinematográfica, que levou muitos festivais a decidirem pelo adiamento, cancelamento ou exibição 'online'.

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