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Críticos acusam Netflix de sexualizar crianças com novo filme francês

11 set, 2020 - 00:06 • Filipe d'Avillez

“Mignonnes – Primeiros Passos” conta a história de uma menina de 11 anos que desafia a cultura conservadora da sua família depois de começar a dançar com uma troupe que se dedica ao “twerking”.

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Mais de 600 mil pessoas já assinaram uma petição que apela ao cancelamento das subscrições da Netflix por causa de um filme francês que o serviço estreou e que os críticos acusam de sexualizar as crianças.

O filme em causa chama-se “Mignonnes – Primeiros Passos”, ou “Cuties”, na versão inglesa, e conta a história de uma rapariga francesa, de ascendência senegalesa, que começa a desafiar as tradições conservadoras da sua família depois de começar a dançar com uma troupe de meninas que se dedica ao “twerking”, que é feito sobretudo através de movimentos em que se projeta as ancas e as nádegas.

“Mignonnes” já tinha atraído críticas quando saiu o cartaz promocional, que mostrava o grupo de raparigas pré-adolescentes em poses sensuais. Reagindo, a Netflix pediu desculpa e disse que a imagem não refletia o conteúdo nem a história do filme. A descrição também foi alterada de “Amy, 11 anos, fica fascinada com uma troupe de dança de twerking. Esperando juntar-se, começa a explorer a sua feminilidade, desafiando as tradições da sua família” para “Aos onze anos Amy começa a revoltar-se contra as tradições conservadoras da sua família quando se deixa fascinar por uma troupe de dança de espírito livre”.

Mas a estreia do filme no festival Sundance e agora no serviço da Netflix não fez acalmar as críticas. Centenas de milhares de pessoas não gostaram de ver as atrizes a desempenhar papéis que consideram sexualizar a infância e acusam agora o canal de promover o abuso de menores e a pornografia infantil.

A realizadora do filme, a franco-senegalesa Maïmouna Doucouré, diz que o filme trata antes temas como o choque cultural e recorda um episódio que serviu de inspiraçao para esta sua estreia no cinema, quando assistiu a um espetáculo de variedades infantil.

“Estavam meninas no palco, vestidas de forma muito sexy, com roupa curta e transparente. Dançavam de uma forma muito sexualmente sugestiva. Estavam ainda muitas mães africanas na plateia. Eu estava fascinada, a ver com um misto de choque e admiração e perguntei-me se estas meninas tinham noção do que estavam a fazer", disse, em declarações ao site ScreenDaily.

A petição criada no Change.org refere ainda outros filmes da Netflix que considera ofensivos, incluindo os que gozam com tradições religiosas, e lamenta que já não seja um serviço amigo das famílias.

A petição e as críticas estão a inundar as redes sociais, usando o hashtag #CancelNetflix.

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