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Asia Bibi apela à libertação de duas jovens paquistanesas sequestradas

08 set, 2020 - 18:25 • Ana Lisboa

A viver no Canadá, a mulher que se tornou num símbolo mundial do sofrimento causado pela aplicação da Lei da Blasfémia e da perseguição à comunidade cristã recorda a sua própria experiência e as dificuldades que viveu durante quase uma década em que esteve presa.

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Numa entrevista exclusiva à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, Asia Bibi, a viver há 15 meses no Canadá, lembrou esta terça-feira os casos de duas jovens paquistanesas, Maira Shahbaz e Huma Younus, vítimas como ela da intolerância religiosa.

"Como vítima, estou a falar por experiência própria. Sofri muito e passei por tantas dificuldades, mas agora estou livre e espero que essas leis possam ser alteradas de forma a prevenir qualquer abuso".

Maira e Huma, como a AIS tem denunciado, "foram vítimas de sequestro, violência e abuso quando tinham apenas 14 anos de idade. Ambas menores, foram raptadas, forçadas à conversão e forçadas também a contraírem matrimónio".

Agora, têm Asia Bibi a defendê-las. "Sei que essas meninas estão a ser perseguidas e apelo ao primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, que por favor ajude as nossas meninas, porque nenhuma delas deveria sofrer assim."

Nesta entrevista com o diretor do secretariado italiano da Ajuda à Igreja que Sofre, através da Internet, Bibi agradece também todo o empenho da Fundação AIS na longa campanha pela sua libertação, fazendo mais um apelo ao chefe de Governo paquistanês para que proteja as minorias religiosas no seu país.

"Apelo ao primeiro-ministro, especialmente pelas vítimas das leis de blasfémia e pelas meninas que foram convertidas à força, para salvaguardar e proteger as minorias, pois também são cidadãos paquistaneses".

A ideia de que o Paquistão deve ser um país aberto a todas as confissões religiosas, não excluindo ninguém por causa das questões de fé, foi repetida nesta conversa. Asia Bibi afirmou que "o Paquistão é para todos os cidadãos paquistaneses, portanto, as minorias religiosas também devem ter os mesmos direitos de cidadania, e a lei do Paquistão diz que todos devem poder viver em liberdade, portanto, essa liberdade deve ser garantida e respeitada".

O exemplo da sua luta continua a ser inspirador. Condenada à morte por blasfémia, por ter bebido um copo de água de um poço, esta mulher cristã, mãe de cinco filhos, esteve presa no chamado "corredor da morte" durante quase uma década, de 2009 até Outubro de 2018. Durante todo esse tempo, "nunca renunciou ao cristianismo, apesar das ameaças que sofreu".

Mesmo quando a sentença de morte foi anulada num recurso interposto ao Supremo Tribunal de Justiça do Paquistão, teve de se esconder durante meses até conseguir deixar o país.

Hoje, apesar de viver no Canadá e de ser uma mulher livre, "continua com a vida ameaçada por fanáticos que desejam a sua morte".

Durante esta conversa com a AIS, Asia Bibi falou também do "enorme apreço que sente pelo Papa Francisco e pelo Papa emérito, agradecendo o empenho e as orações de todos os que estiveram de alguma forma envolvidos na defesa da sua causa".

Diz que tem dois Terços oferecidos pelo Santo Padre: "um ficou no Paquistão e o outro tenho-o comigo e rezo com ele todos os dias pelo dom da fé e por aqueles que são perseguidos no Paquistão. Agradeço ao Papa Francisco e também ao Papa Bento XVI que também intercedeu por mim, e agradeço à Ajuda à Igreja que Sofre e a todas as outras pessoas que rezaram por mim.”


Durante a entrevista, o Diretor do secretariado italiano da Ajuda à Igreja que Sofre convidou Asia Bibi e a família a visitarem Roma. Aceitou o convite e manifestou o desejo de se encontrar pessoalmente com o Papa. "Tenho um profundo desejo de ir a Roma e, se possível, encontrar-me com o Santo Padre", disse, acrescentando: "Rezo pelo Papa Francisco, que nos sustente na nossa fé".

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