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Financiamento das escolas em risco? OCDE alerta para possíveis consequências da pandemia na Educação

08 set, 2020 - 14:26 • Liliana Monteiro com redação e Lusa

A organização alerta: os governos nacionais vão, certamente, "enfrentar decisões difíceis", desde logo na alocação de recursos.

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As consequências negativas da pandemia de covid-19 podem vir a estender-se à Educação, não só no funcionamento das escolas, mas também no financiamento e internacionalização do ensino, alertou esta terça-feira a OCDE.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) publicou esta terça-feira a edição de 2020 do relatório “Education at a Glance”, que este ano lança um olhar à educação e ao impacto que a covid-19 tem no setor, temas que merecem um capitulo.

Portugal está no fim da lista dos países com professores mais jovens. A OCDE conclui que apenas 1 a 2% dos professores são considerados jovens. No 3.º ciclo e ensino secundário, apenas 2% dos professores são considerados jovens, um número que cai para 1% entre os docentes do 1.º e 2.º ciclos de escolaridade.

Os docentes com idades abaixo dos 30 anos representam uma minoria em Portuga, o que coloca o nosso país nos últimos lugares de uma lista de 39 nações.

O relatório alerta para uma pressão acrescida sobre os governos nos próximos anos para recrutar e formar novos professores, uma vez que uma grande parte alcança a idade da reforma na próxima década.

Os dados mostram que, entre 2005 e 2018, a proporção de professores jovens no ensino secundário caiu 15 pontos percentuais. Os jovens são os mais mal pagos.

Mas se olharmos para os professores no geral, no último ano os docentes portugueses continuavam entre os mais bem pagos, ultrapassados apenas pela Lituânia e Costa Rica.

Os docentes portugueses em topo de carreira ganham, em média, mais 116% do que os mais jovens. Os salários são, na educação, a maior fatia de despesa no setor.

Sobre o impacto da pandemia de covid-19 na educação, a OCDE considera que nesta fase é ainda cedo prever quais as consequências negativas, não só no funcionamento das escolas, mas também no financiamento e internacionalização do ensino. A organização alerta: os governos nacionais vão, certamente, "enfrentar decisões difíceis", desde logo na alocação de recursos.

O relatório lembra que, no que toca ao nosso país, essa é uma realidade preocupante, uma vez que em 2017 a despesa do país na educação foi inferior à média dos países da OCDE.

Com o aumento do desemprego, o financiamento privado também pode estar em risco, recordando a organização que os berçários e creches particulares, segundo dados de 2018, são responsáveis por receber, em Portugal, 96% do total de crianças que frequenta estas instituições.

Quanto ao início do ano letivo, a OCDE considera que Portugal está dentro da média em matéria de alunos por turma - normalmente 21 alunos no 1.º e 2.º ciclos.

Portugal é uma exceção no que toca ao ensino secundário

A OCDE comparou também as taxas de conclusão do ensino secundário e profissional, e concluiu que a taxa de conclusão é idêntica nestes dois modelos de ensino, o que faz do nosso país uma excepção no contexto internacional.

"Tipicamente, é menos provável que os alunos do ensino secundário profissional concluam a sua formação em comparação com os programas regulares. Portugal é uma exceção", lê-se no relatório.

A taxa de conclusão do ensino secundário dentro do tempo previsto é de 57%, tanto entre os estudantes ensino regular, como entre aqueles que optam por uma via profissional.

Quanto à escolha do ensino profissional, Portugal encontra-se abaixo da média dos países da OCDE, onde os jovens procuram mais esta via de ensino.

O ensino profissional é ainda destacado pela proximidade ao mercado de trabalho, com alunos com uma maior facilidade em arranjar emprego, em comparação com os jovens que concluíram a escolaridade obrigatória no ensino regular. A taxa ronda os 88%.

Apesar de registar um crescimento superior ao da média da OCDE, Portugal continua atrás no número de formados no ensino superior.

O relatório alerta ainda para o impacto previsto na internacionalização do ensino superior, e se Portugal se tem posicionado acima da média da OCDE em relação à quota de estudantes internacionais, poderá, por isso, estar também entre os países a quem a previsível redução mais afeta.

Esta é, aliás, uma possibilidade que já foi admitida pelo Governo, que decidiu transferir parte das vagas destinadas aos alunos internacionais para o concurso nacional de acesso ao ensino superior, que este ano contou com um número recorde de candidaturas.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 889.498 mortos e infetou mais de 27,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.843 pessoas das 60.507 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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  • Observador
    09 set, 2020 Portugal 08:35
    Não esqueçam é de dizer que no mandato de Lurdes Rodrigues como ministra da educação, houve uma "reestruturação" da Carreira Docente que significou um recuo de 3 escalões em média, para cada professor. E que logo em seguida, o famigerado "congelamento" de progressões significou 11 anos de estagnação de carreira. Moral da História: os últimos escalões podem ser bem pagos, mas quem é que lá chega? - só no ano passado é que chegaram professores ao 10º e último escalão, até aí não havia professores no ativo no 10º. Por outras palavras, a carreira além de anormalmente longa, é mantida artificialmente em escalões baixos. Quem vai para professor, nestas condições?