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Antigo ministro da Educação alerta para "perigo de endoutrinação" em disciplina de Cidadania

05 set, 2020 - 19:08 • José Pedro Frazão

Nuno Crato defende que é possível abordar a Educação para a Cidadania em diversas disciplinas, levando aos alunos "questões mais consensuais" como a igualdade de género ou a Democracia.

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O antigo ministro da Educação Nuno Crato considera que uma disciplina autónoma de Cidadania e Desenvolvimento contém um "perigo" de se transformar em "algo de endoutrinação".

À margem de um debate sobre o novo ano lectivo no programa "Da Capa à Contracapa" da RenascençaRenascença, Crato defendeu os motivos pelos quais a Educação para a Cidadania não deve ser obrigatória na estrutura curricular.

" A Educação para a Cidadania, em abstrato, é necessária. Mas não deve ser uma disciplina autónoma. Deve ser algo que está imbuído na escola. Por exemplo, o que é Democracia ou o respeito pelos outros pode estudar-se na disciplina de História e praticar-se na disciplina de Matemática. Esses são valores que se transmitem muito pelo exemplo e pela reflexão. Mas acho mal haver uma disciplina específica para isso", afirma o antigo ministro da Educação e actual presidente da Iniciativa Educação.

Nuno Crato considera que existe um " perigo de uma disciplina dessas se transformar em algo de endoutrinação", mas recusa concretizar se isso está já concretizado na forma como a disciplina está a ser concebida e leccionada no sistema educativo português.

"Deveríamos evitar isso. Devemos limitar-nos às questões mais consensuais e mais importantes, como o respeito pelos outros, a igualdade de género, todo esse tipo de coisas que são consensuais. Isso é o que nos deve preocupar. A disciplina não se deve transformar em algo de endoutrinação. Por isso é que quando estive no Ministério a disciplina não era obrigatória", complementa Crato, que foi ministro da Educação entre 2011 e 2015 no governo liderado por Pedro Passos Coelho.

O programa "Da Capa à Contracapa", parceria semanal da Renascença com a Fundação Francisco Manuel dos Santos, debateu os desafios do novo ano lectivo em tempo de pandemia, com a presença de Nuno Crato e Maria Filomena Gaspar, professora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.

Comentários
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  • Anónimo
    07 set, 2020 12:12
    Muito bem Dr Nuno Crato Nas escolas, e sei do que falo, os conteúdos são abordados de forma diferente conforme a formação e os valores que cada professor professa, já para não falar das ideologias.. Com filhos que já passaram por estes conteúdos, devo dizer, que com um deles tivemos que desmontar verdadeiras aberrações, sem sustentação científica, mas plenas de modismos. Sempre ensinamos os nossos filhos a respeitarem todos - aliás, no Pré escolar e no 1º Ciclo sempre foram dos poucos que convidavam TODOS os colegas para as suas festas de aniversário. Os filho têm o direito de ser educados pelos pais e se se considerar que a educação não está a transmitir os valores mais importantes, quem deve frequentar uma formação, uma escola de pais, seja o que for, são estes últimos, que já poderão discernir.
  • Augusto
    06 set, 2020 Lisboa 19:13
    Revoltado na Juventude, reacionario na idade adulta. Quem conheceu o Nuno Crato noutros tempos....
  • Anónimo
    06 set, 2020 18:25
    O que diria Nuno Crato se os pais tirassem os filhos das aulas de Matemática, alegando objecção de consciência?
  • Filipe
    05 set, 2020 évora 21:54
    Igualdade entre humanos e tratamento igual . Porque de género igualdade nunca vai haver na razão da mistura ou seja , este conteúdo não deve ser ensinado a crianças como tudo fosse igual na vida , não é . Os rapazes que mudaram para serem meninas , tem na mesma hormonas masculinas e não podem ter filhos e vice versa . Sempre será cromossoma XY masculino e cromossoma XX feminino . Para mais , continua nos hipermercados a haver uma secção de brinquedos para meninas e para meninos , produtos de higiene para masculino e para feminino . Competição desportiva masculina e feminina . Nada de misturas . Embora nada impeça que um rapaz compre cor de rosa e a menina compre azul . O que querem introduzir no cérebro das crianças é para elas serem tolerantes aos casais homossexuais , gays e lésbicas poderem adotar filhos ou filhas sem serem apontados como pessoas com problemas cognitivos . Essa disciplina não pode ensinar conteúdos da qual a Religião e Moral impunha , sendo esta facultativa , querendo agora essas organizações de gays e lésbicas impor esses conteúdos a crianças .
  • João Lopes
    05 set, 2020 19:55
    Concordo com Nuno Crato. Os marxistas: socialistas, comunistas (pcp, bloco de esquerda, ps, lgbt) querem substituir-se aos pais que são os primeiros e principais educadores dos seus filhos. Pretendem impor aos alunos desde pequenos, sem contar com a autorização dos pais a cartilha marxista, a despenalização do aborto, a liberalização das drogas leves, as salas de chuto, o “casamento” homossexual, as mudanças de sexo, a eutanásia, a ideologia lgbt, etc. E como marxistas, que são, não olham a meios para atingir os fins, mesmo que estes sejam perversos e atentórios da liberdade! to.