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Pandemia

Covid-19. Escolas podem reabrir mas teletrabalho deve continuar, diz ECDC

29 ago, 2020 - 10:29 • Lusa

“Crianças e escolas não são as maiores fontes de propagação”, diz o chefe-adjunto do programa de doenças, adiantando que é preciso cumprir as regras, tal como no trabalho.

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O Centro Europeu para Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) considera que as escolas podem reabrir em setembro na Europa, mas aconselha as empresas a manterem o teletrabalho.

“Tendo em conta os dados disponíveis, as crianças e as escolas não são as maiores fontes de propagação desta pandemia”, diz o chefe-adjunto do programa de doenças do ECDC, Piotr Kramarz, em entrevista à agência Lusa.

Por essa razão, “os países deverão abrir as suas escolas [em setembro] e sugerimos algumas medidas para serem adotadas, que devem ser coerentes com as restantes regras da comunidade, como tentar aumentar o distanciamento físico entre alunos”, acrescenta o cientista.

“Embora haja bastante incógnitas, não houve muitos surtos em escolas, talvez porque as crianças não ficam frequentemente doentes”, o que demonstra que “esta não é a maior fonte de propagação da pandemia”, afirma.

Por outro lado, fechar as escolas teve graves consequências no desenvolvimento das crianças, não só em termos de aprendizagem, mas também na dimensão social”, frisa.

“O que propomos é que sejam cumpridas algumas regras”, sugere, numa alusão a medidas que, além do máximo distanciamento físico possível, passam por “introduzir horários específicos [para cada ano], para que as aulas não terminem ao mesmo tempo e o intervalo também não seja ao mesmo tempo”.

“Algumas escolas estão a pensar apelar a que os alunos almocem no exterior, se o tempo assim o permitir”, exemplifica.

No que toca à proteção individual, Piotr Kramarz frisa que “tem de haver materiais para a frequente higienização das mãos” nas salas de aula, além de destacar que poderá ser considerada a imposição de máscaras faciais para os estudantes mais velhos.

“O tempo também demonstrou a eficácia das máscaras faciais em evitar a propagação do vírus, mas esse é um desafio nas escolas”, admite.

“Há países que estão a considerar a imposição de máscaras nalguns locais das escolas, mas talvez não para os mais pequenos, mais para os mais velhos e para os funcionários e professores”, indica o especialista.

Com a adoção destas medidas, “as escolas não serão a maior origem de propagação, mas claro que continuaremos atentos”, assegura.

Teletrabalho, sim. Mas depende…

“O teletrabalho é uma medida que deve continuar a ser considerada nos próximos tempos”, defende Piotr Kramarz. “Especialmente agora, que estamos a assistir a aumentos nos números”, sustenta.

No local de trabalho, torna-se mais difícil “aumentar o distanciamento físico”, nomeadamente em escritórios, reconhece. Daí, a manutenção do trabalho remoto.

“Mas claro que depende muito das condições em que as pessoas trabalham […]. No caso das fábricas, [depende] se existe uma ventilação eficaz nos locais de trabalho. E depende de qual é a situação dos transportes públicos em autocarros, metro, etc., [na deslocação para o trabalho], tudo isto tem de ser tido em conta”, contextualiza o especialista.

E reforça o conselho: “consideramos o teletrabalho como uma opção que deve continuar a ser usada para reduzir a transmissão”.

Sediado na Suécia, o ECDC tem como missão ajudar os países europeus a dar resposta a surtos de doenças.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 832 mil mortos e infetou mais de 24,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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  • Professor Ludibriado
    29 ago, 2020 5 de Outubro 12:02
    Todos falam nas Escolas, nas crianças, mas parece que ninguém percebeu que nas escolas o maior risco ainda é para o corpo docente que é apenas e só um dos mais envelhecidos da Europa, cheio de diabéticos, hipertensos, gente alimentada a ansiolíticos e anti-depressivos, e de auxiliares a outro tanto. E sem professores e/ou auxiliares não há escolas abertas. Capice? Então vamos começar a pensar em TODOS e não só nos alunos e nos pais deles. Ok?