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OE 2021: Marcelo "não vai alinhar em crises políticas"

27 ago, 2020 - 17:32 • Ricardo Vieira

Presidente da República apela ao diálogo entre os partidos e diz que não contem com ele para dissolver o Parlamento. “Em cima da crise da saúde e da crise económica, uma crise política, era a aventura total”, adverte Marcelo Rebelo de Sousa.

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O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirma que não vai alinhar em crises políticas, numa altura em que os partidos vão começar a negociar o Orçamento do Estado (OE) para 2021.

Marcelo Rebelo de Sousa avisa que não pretende dissolver a Assembleia da República no curto prazo de que dispõe, uma vez que há eleições presidenciais em janeiro de 2021.

“A necessidade de haver diálogo entre os partidos. O Presidente da República não vai alinhar em crises políticas. Desenganem-se os que pensam que, se não houver um esforço de entendimento, que vai haver dissolução do Parlamento no curto espaço de tempo que o Presidente tem pela frente para isso, que é até 8 de setembro", disse Marcelo Rebelo de Sousa à margem de uma visita à Feira do Livro de Lisboa.

Para o Presidente da República, uma crise política no curto prazo "seria uma aventura”, numa altura em que o país e o mundo sofrem com os efeitos económicos e sociais da pandemia de Covid-19.

“Em cima da crise da saúde e da crise económica, uma crise política, era a aventura total”, adverte o chefe de Estado.

Num sério aviso aos partidos com assento parlamentar, Marcelo Rebelo de Sousa considera que a "alternativa seria uma crise a prazo", mas fala num cenário de "romance e ficção".

"O Presidente da República empossado a 9 de março, seja ele quem for, estar a dissolver para eleições em junho, isso não existe. É ficção. Uma crise política ou ameaça de crise política é ficção, é para romances como os que se podem comprar na Feira do Livro”, atirou.

Marcelo defende que Portugal não se poder "dar ao luxo dessas ameaças e desses cenários, muito menos dessa concretização".

"O Presidente da República não contem com ele, até 8 de setembro, para isso. A partir daí não pode dissolver o Parlamento, portanto, o que os partidos têm a fazer, penso eu, é dialogarem, ver como se viabiliza um Orçamento que é fundamental para a utilização dos fundos que vem de Bruxelas, para o plano de recuperação que é tão necessário, basta olhar par aos números do défice que saíram ontem. Estamos a falar de coisas muito sérias."

O Presidente considera que os partidos têm direito ao pluralismo, "ninguém é obrigado a violentar a sua consciência, mas são todos obrigados a pensar no interesse nacional”.

O apelo de Marcelo foi lançado na véspera de o primeiro-ministro, António Costa, receber em São Bento, Bloco de Esquerda, PAN e PEV para procurar um acordo político de legislatura, incluindo desde logo a aprovação do Orçamento do Estado para 2021.

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