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Pandemia de ​Covid-19

Regresso às aulas na Alemanha. Entre o contentamento e a preocupação

27 ago, 2020 - 07:05 • Guilherme Correia da Silva, correspondente na Alemanha

Na Alemanha, muitos alunos já regressaram às aulas. Mas há várias regras para cumprir, por causa da pandemia do novo coronavírus. Os horários das turmas foram redefinidos, para se reduzir ao máximo o cruzamento entre grupos de alunos. Além disso, é preciso manter o distanciamento, limpar as mesas, desinfectar constantemente as mãos, e, em várias escolas (mas não em todas), é obrigatório usar máscara, tanto nos corredores como nas salas de aula.

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Na Alemanha, as aulas já começaram nalguns estados federados, noutros ainda vão começar. Quem já voltou à escola está bastante contente com o regresso a uma certa normalidade. Antero Almeida, um português a viver em Kaiserslautern, no oeste da Alemanha, diz, pelo menos, que foi esse o caso dos seus filhos.

"Acho que foi a primeira vez que eles ficaram contentes de poder ir à escola para não estar o tempo todo presos em casa. Depois de quatro ou cinco meses sem fazer nada, a escola é a melhor coisa que pode acontecer. Ficaram todos contentes."

Antero Almeida tem dois filhos na escola, um de 14 e outro de 16 anos. Durante o pico da pandemia, a escola fechou. As aulas eram pela Internet. Depois, os filhos começaram a ter aulas presenciais na escola, semana sim, semana não. Mas a seguir vieram logo as férias. Portanto, o regresso às aulas, a tempo inteiro, é uma mudança agradável - apesar de estar tudo diferente.

"As aulas têm a situação da desinfeção, têm a situação das máscaras, têm a situação das distâncias…"

No início, as medidas estorvaram um pouco, diz Antero Almeida, embora os filhos se tenham habituado depressa: "Só nos primeiros dias é que se queixaram. Estorva, mas eles são fortes, jogam futebol, estão habituados a desafios. Quer dizer, também não têm outra solução."

Ainda assim, pais e professores na Alemanha também receiam que, com o regresso às aulas, se dê um passo atrás na contenção do novo coronavírus - principalmente, com muitos alunos a ter aulas em salas pequenas, onde é impossível manter o distanciamento físico. Afirmam ainda que é praticamente impossível controlar se todos os alunos estão a usar as máscaras correctamente. Ou que as turmas não se encontrem com outras, apesar de terem horários diferentes.

Segundo Ilka Hoffmann, do Sindicato dos Trabalhadores da Educação e Ciência (GEW, na sigla em alemão), com o regresso às aulas, vieram à tona os vários problemas na escolas alemãs.

"Em muitos estados, houve muita coisa que foi decidida de cima, sem levar em consideração a realidade no terreno e dando poucos ouvidos a professores e sindicatos. Em algumas zonas, já se voltou a encerrar escolas por causa do coronavírus - em Berlim, na Renânia do Norte-Vestfália, em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Abriram-se as escolas, mesmo sem distanciamento e sem que as salas sejam suficientemente arejadas."

Os professores sentem-se como "cobaias" e é preciso mais segurança, diz o sindicato. É necessário, por exemplo, garantir um distanciamento adequado entre os alunos e que as salas de aula sejam arejadas e limpas com frequência.

"A máscara é uma proteção adicional, quando não se consegue manter o distanciamento, mas não substitui as outras medidas de higiene importantes", acrescenta Hoffmann.

O grande medo é que mais escolas tenham de fechar. Muitos pais disseram que, durante o confinamento, as crianças passaram mais tempo a ver televisão ou a jogar no computador ou no telemóvel do que a estudar ou a fazer trabalhos escolares, de acordo com um estudo do Instituto de Pesquisa Económica de Munique divulgado este mês. Voltar à situação do confinamento, com aulas pela Internet ou com a mãe ou o pai a substituir o professor em casa, seria não só mau para os pais (que têm de acompanhar permanentemente os filhos), como também para os próprios alunos.

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