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Covid-19: Governo manda investigar surto em lar de Reguengos

19 ago, 2020 - 17:41 • Lusa

Ministra da Saúde remeteu a situação para a Inspeção Geral de Atividades de Saúde. O caso está também a ser investigado pelo Ministério Público, mas não tem arguidos constituídos.

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A Inspeção Geral de Atividades de Saúde (IGAS) está a investigar o que sucedeu num lar em Reguengos de Monsaraz onde morreram 18 pessoas com covid-19, assunto que também está a ser averiguado pelo Ministério da Saúde.

Segundo a ministra da Saúde, Marta Temido, foram recebidas várias informações e documentos no Ministério no início de agosto relacionados com o que ocorreu num lar de idosos na cidade, entre os quais o relatório da Ordem dos Médicos e uma linha cronológica dos acontecimentos elaborada pela entidade de Saúde Pública Regional.

Marta Temido acrescentou que foi pedida também à Administração Regional de Saúde do Alentejo e à Direção-Geral da Saúde para se pronunciarem sobre o relatório da Ordem dos Médicos no qual é dito que o lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva não cumpria as orientações da DGS e aponta responsabilidades à administração, à Autoridade de Saúde Pública e à ARS.

“Foi esta análise feita pelas duas entidades que instruíram o relatório que o Ministério da Saúde enviou para a IGAS, no início desta semana, para que fosse feita uma inspeção para que possam ser apuradas, entre outras, responsabilidades disciplinares, se as houver”, afirmou.

O surto de Reguengos de Monsaraz, detetado em 18 de junho, provocou 162 casos de infeção, a maior parte no lar (80 utentes e 26 profissionais), mas também 56 pessoas da comunidade, tendo morrido 18 pessoas (16 utentes e uma funcionária do lar e um homem da comunidade).

O caso está também a ser investigado pelo Ministério Público, mas não tem arguidos constituídos, revelou hoje fonte da Procuradoria-Geral da República à Lusa.

Marta Temido reiterou que os lares de idosos têm um quadro normativo próprio que lhes atribuiu uma missão de apoio social, onde são prestados alguns cuidados de enfermagem, de cuidados de higiene pessoal, tratamento de roupa e animação social cultural e que têm também previsto o acessos de cuidados de saúde através de um médico assistente.

“Estas pessoas por estarem a residir em lares não perdem o direito a terem uma equipa de saúde familiar atribuída”, reforçou.

Quando é detetado um caso positivo de covid-19 num lar, sem necessidade de internamento do doente, os cuidados médicos têm de ser garantidos pelo Serviço Nacional de Saúde.

As duas responsáveis foram questionadas na conferência de imprensa sobre a possibilidade de o uso da máscara ser alargado aos espaços públicos, tendo respondido que esta como outras matérias “estão em avaliação continua” e que as entidades portuguesas estão atentas ao que tem vindo a ser definido por outros países.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 781.194 mortos e infetou mais de 22,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.786 pessoas das 54.701 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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