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Covid-19

Funcionários escolares insuficientes para garantir novas regras da pandemia

17 ago, 2020 - 17:13 • Lusa

Sobre o aumento de mais 700 trabalhadores prometido pelo Ministério da Educação, Artur Sequeira diz que "não chegam sequer para cobrir os que se aposentaram no passado ano letivo".

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Os trabalhadores não docentes alertaram, esta segunda-feira, para a falta de funcionários nas escolas em número suficiente para conseguir garantir as regras de segurança associadas à Covid-19. De acordo com os sindicatos do setor, já antes da pandemia eram poucos os profissionais e estavam sobrecarregados de trabalho.

Representantes da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFP) estiveram hoje reunidos com responsáveis do Ministério da Educação e voltaram a chamar a atenção para o facto de faltarem milhares de funcionários nas escolas, haver trabalhadores exaustos e de este ser um grupo profissional envelhecido.

"Estes trabalhadores são fundamentais para que o sistema de proteção contra a covid funcione, mas a maioria das escolas tem falta deles. Algumas escolas não vão conseguir cumprir as novas regras em tempo de pandemia. Os problemas vão aparecer", alertou Artur Sequeira, presidente da federação, em declarações à agência Lusa, no final do encontro.

Sobre o aumento de mais 700 trabalhadores prometido pelo Ministério da Educação, Artur Sequeira diz que "não chegam sequer para cobrir os que se aposentaram no passado ano letivo".

Segundo as contas da FNSTFP, antes da pandemia já faltavam cerca de seis mil funcionários mas agora seriam precisos mais uma vez que haverá mais trabalho: "Esquecem-se que são estas pessoas que vão limpar as salas de aulas quando os alunos saírem, que vão limpar corredores e outros espaços comuns, que são eles que vão estar responsáveis por verificar se estão todos a cumprir as regras", lembrou.

Sobre a decisão anunciada na semana passada pelo Governo de prorrogar por mais um ano os contratos dos trabalhadores não docentes, Artur Sequeira considerou-a "uma medida coxa".

"Por um lado, as pessoas podem ficar satisfeitas porque não vão para o desemprego no final do mês, mas por outro, isto significa continuar em situação precária", disse.

A FNSTFP condena a decisão de prolongar os contratos a termo resolutivo, designadamente aqueles que foram celebrados no ano letivo de 2017/2018, defendendo que deviam ser integradas nos quadros e alertando para o perigo de o Governo voltar a tomar uma decisão semelhante no próximo ano, mantendo indefinidamente as pessoas em situação precária.

"Estão a ser contratadas ilegalmente para funções que correspondem a necessidades permanentes das escolas", criticou Artur Sequeira, acrescentando que na reunião de hoje foi dito que a medida se aplica aos trabalhadores das escolas do ministério da Educação e das autarquias.

Para a federação deveriam ter sido abertos concursos para que pudessem celebrar contratos de trabalho em funções públicas sem termo.

Artur Sequeira lembrou que "a pandemia só veio pôr a nú" os problemas já existentes da falta de pessoal não docente, a situação laboral instável e precária e o excesso de trabalho.

"Mais de um terço dos trabalhadores das escolas tem mais de 50 anos e há muita gente em situação de risco. Além disso, já havia uma distribuição de trabalho abusiva, havia quem tivesse a seu cargo um número de salas que era humanamente impossível limpar", alertou.

Na semana passada, representantes dos diretores escolares contaram à Lusa que algumas escolas estavam a planear pedir ajuda aos alunos mais velhos para a higienização das suas salas de aula.

Durante a reunião de hoje, o ministério voltou a reforçar que está a decorrer um processo de revisão da portaria de rácios "tendo em conta novos critérios das necessidades permanentes das escolas que se vai traduzir em mais funcionários", contou Artur Sequeira.

Além disso, a tutela garantiu a distribuição gratuita de um kit de equipamento de proteção individual a todos os trabalhadores, composto por máscaras comunitárias, batas e viseiras.

O próximo ano letivo começa entre 14 e 17 de setembro e será o regresso ao modelo presencial, depois de no passado ano letivo o Governo ter decidido encerrar as escolas por causa da evolução da pandemia de covid-19.

Desde março, a maioria dos alunos passou a ter aulas à distância, tendo apenas os estudantes do 11.º e 12.º anos regressado à escola em meados do terceiro período.


Comentários
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  • J M
    18 ago, 2020 Seixal 19:10
    Também acho. Devido à pandemia, no início do ano lectivo deveria haver um funcionário para cada aluno.
  • Filipe
    17 ago, 2020 évora 21:41
    Meteram 1 milhão de Portugueses sem pagar casa e carro e outras obrigações periódicas como os seguros , vadiando e vivendo como Kalifas e Magnatas do Petróleo , entregando milhões de euros no bolso da restauração e afins onde mais de 80% não passa fatura/recibo . Em Março de 2021 dobram a espinha , pois o "bar aberto" acaba . Por outro lado , os trabalhadores por ordem dos capangas das autarquias nas escolas que ganham pouco mais de 600 euros mensais , tem de aturar os filhos e filhas desses mordomos das moratórias e talvez agora queiram que façam horas extras de graça por conta do vírus . Os corruptos e branqueadores de colarinho branco encriptados nos discos do pinto a esta hora já foram eliminados para que o povo não saiba quem são . Na verdade tudo serviu para proteger os criminosos encapotado na soltura do Pinto . Ponham o conteúdo dos discos na net para sabermos quem são os criminosos em Portugal .
  • Cidadao
    17 ago, 2020 Lisboa 19:33
    Mas alguém com dois dedos de testa, acredita que "isto vai correr tudo bem"? Acham mesmo que é por manterem os alunos aos montes, presos numa sala de aula, que vão evitar contágios? Cá fora, se houver mais que 10 pessoas juntas, a polícia pode intervir. Dentro do espaço acanhado duma sala de aula, estão 20 ou 30 mais o professor, acham que vai correr bem?
  • Anónimo
    17 ago, 2020 18:33
    Só agora descobriram isso? Vamos ver os casos a aumentar em Setembro! Um aluno infectado, uma turma inteira de quarentena, as respectivas famílias de quarentena... Muito bem!