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Esposende recupera casas com mais de dois mil anos

14 ago, 2020 - 09:51 • Olímpia Mairos

O Castro de S. Lourenço está integrado na Rede de Castros do Noroeste e é o maior fator atrativo do concelho.

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A autarquia de Esposende está a recuperar as casas do Castro de S. Lourenço, em Vila Chã. O investimento ultrapassa os 10 mil euros e prevê, além da reconstrução de cinco habitações pertencentes a dois núcleos habitacionais, a reconstituição dos telhados das casas castrejas.

“O Castro de S. Lourenço afigura-se como elemento fundamental na consciencialização da população, principalmente junto dos mais novos, do ponto de vista da transmissão histórica sobre o contexto da fundação de Esposende”, realça a autarquia em comunicado.

Os trabalhos agora desenvolvidos no Castro de S. Lourenço, assinala a autarquia, “obedeceram a critérios fundamentados pela experiência adquirida nas intervenções realizadas em outros castros nacionais e galegos e, sobretudo, nos resultados obtidos com as intervenções arqueológicas realizadas no próprio Castro de S. Lourenço”.

Os edifícios foram reconstruídos maioritariamente com a pedra das várias campanhas de escavação, obedecendo ao desenho dos seus alicerces, recuperados nas intervenções arqueológicas.

De acordo com o comunicado da autarquia, “foram recuperados três edifícios circulares, uma estrutura oblonga, sendo a restante de planta irregular. No interior de uma delas respeitou-se o banco de pedra corrido encostado a uma das paredes”.

O Castro de S. Lourenço está integrado na Rede de Castros do Noroeste e é o maior fator atrativo do concelho.

Segundo dados da autarquia, entre 2014 e 2019 foram registados mais de 68 000 mil visitantes, incluindo alunos e participantes em atividades de Serviço Educativo, um crescimento que é justificado pelo “investimento” realizado.

“A aquisição de terrenos, num investimento de 150 mil euros, permitiu requalificar o espaço envolvente à segunda linha de muralhas. Posteriormente foi construída a área de merendas e o circuito pedonal, zonas de estacionamento, reflorestação com espécies autóctones, recuperação do muro de pedra solta para delimitação do recinto, criação de espaço informal de anfiteatro naturalizado, instalações sanitárias e ilha ecológica, num investimento de cerca de 250 mil euros”, enumera a autarquia.

No Centro Interpretativo de S. Lourenço, os visitantes têm à sua disposição o documentário “Quem somos e de onde vimos…”, que permite conhecer o Castro de S. Lourenço no contexto do Noroeste Peninsular, refletindo as vivências do castro ao longo de 20 séculos de ocupação.

Os mais novos podem assistir ao filme “Caturo, o pequeno guerreiro” e os especialistas têm à sua disposição o livro “Memórias Arqueológicas do Castro de S. Lourenço”, uma publicação com dois volumes.

“IDENTIDADE(S): o Homem e o Território Esposende nas origens da Cultura Castreja” é a mais recente exposição do Centro Interpretativo de S. Lourenço e, tal como a exposição “Mar Histórias”, pode ser visitada gratuitamente, de 2.ª a 6.ª feira, das 10h às 13h e das 14h às 18h, e aos fins-de-semana e feriados, entre as 14h e as 18h.

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  • David Lamy
    21 ago, 2020 Armação de Pêra 19:58
    Um castro ornamentado com eucaliptos, nem aí pouparam o territória a essa praga, que saiba os castrenses nunca conheceram essa espécie nociva dee árvore. Só mesmo em território tuga e em alguns países desprovidos de justiça lá pro ex bloco de leste.
  • Desabafo Assim
    15 ago, 2020 22:34
    A mulher odeia a guerra, mata-lhes os filhos, mas os vikings bem podiam temer os homens que cá estavam, manhosos, impiedosos com os invasores. Esses 50 seculos que o homem de hoje não quer saber tem um fascínio sobre mim, falo de mim, de um povo em que se perde a conta dos seculos, lúcido, sabido, guerreiro e audaz. Não é uma apologia q qualquer tipo de supremacia, mas um hino ao homem, esse que habita hoje no espírito do Homem nos países do Norte, o Homem na sua real magnitude, sem ser castrados pelas classes sociais predominantes nesta fase da humanidade, aquela maravilha em que ninguém acredita e enxerta de forma grutesca. Nesses 50 seculos o homem se fez Homem, de seu tinha um relevo e uma terra que lhe dava pão, de farinha de bolota ou de manteiga de leite, mas senhor de si e consciente das suas capacidades, não viviam ambicionando brinquedos, não se dirigiam às vilas a não ser pelo sabão e do sal, de resto tinham tudo o que necessitavam e eram, na medida do possível felizes, mais nas aldeias que nas vilas, sobreviviam, olhavam o sol e as chuvas como premonições. Me encanta essa forma de ser, essa visão de senhores da guerra desses tempos, dos seus bastidores, da sua genialidade visto do lado de cá.
  • Desabafo Assim
    15 ago, 2020 12:29
    Humildade, só isso espero na “reconstrução” das citânias, temos grandes mestres, com provas dadas na nossa vizinha Espanha, impossível de apontar a mais pequena imperfeição, todos os amantes da história são uma única família, não têm desculpa alguma para não fazer bem.
  • Desabafo Assim
    15 ago, 2020 12:00
    As minhas palavras não passam de mais uma visão perante os factos, nada mais que isso, temas de discussão, aparências das quais procuro sentido, desconheço factos que outros por seu lado têm na ponta da língua que permitem ter uma visão conjuntural mais clara, dai as minhas observações sobre o aparente valem o que valem, nada mais. Tenho visto, e conheço bastantes, citânias onde a construção destes abrigos, de conhecimento empírico da espécie humana, duas fiadas de pedras voltadas de costas uma para a outra e com o seu miolo cheio de terra e cascalho, sem esquinas para não esborralhar, atingiram tal densidade, para não saírem do esconderijo, que deixaram de ter arruamentos, a área deixou de ter espaço útil para tantas famílias. Fica por saber os caminhos vicinais, para a grande citânia, as fontes no percurso, os pontos de encontro, os miradouros, os apetrechos para dar o alarme, a cobertura original destes habitáculos já sem falar das suas embarcações, das suas artes, das suas cozinhas, dos seus locais de conforto e da sua hierarquia social.
  • Desabafo Assim
    15 ago, 2020 01:35
    As invasões vikings eram exércitos numerosos, como forma de garantirem o regresso dos seus guerreiros à terra natal, investidas de menos de 500 homens eram dadas ao fracasso. No início tomavam de assalto e saqueavam as cidades costeiras sem grande dificuldade, mas as populações tiveram de se adaptar a essa nova realidade, era necessário criar pontos de encontro para reunir o povo e face à investida e avaliar se era possível uma contra-ofensiva ou se por outro teriam de fugir para o interior. Esses pontos de encontro, conhecidas como citânias nada mais eram que dispensas, por família, onde eram guardados o equipamento indispensável para a fuga, material de agasalho, tendas de campanha, armas e recipientes, na verdade nunca ninguém lá viveu, sem fontes de água própria, nem de hortas ou currais, são simplesmente locais escondidos entre montes. As populações continuaram a viver nas zonas ribeirinhas, nas tradicionais casas de vigamentos de madeira. Quando era dado o alarme largavam tudo corriam ou fugiam para os pontos de encontro estivessem onde estivessem, era uma questão de vida ou morte, como último reduto poderiam fortificar as citânias com um muro dando alguma vantagem se fossem perseguidos por homens a cavalo, uma pequena vantagem a somar ao número desproporcional visto estar lá todo o povo e só uma pequena parte do exercito invasor. Dai partiam para refúgios no interior bem definidos, do grande número de citânias da costa para grandes citânias no interior, Sanfins, etc.

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