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A “Covid-19 não vindima”. Prevenir é fundamental

12 ago, 2020 - 08:35 • Olímpia Mairos

O uso de máscara e a não partilha de objetos, como tesouras ou recipientes usados para colocar as uvas cortadas, é fundamental para evitar contágios, assim como a não realização de convívios.

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Com as vindimas à porta, em Murça, na região do Douro, a palavra de ordem é a prevenção. E é para ajudar a prevenir e evitar eventuais contágios de Covid-19 que o Centro de Gestão Empresa Agrícola Vale da Porca está a promover ações de esclarecimentos junto dos agricultores e produtores.

“Queremos sensibilizar os viticultores, todas as pessoas que vão vindimar, a minimizar uma possível transmissão de uma possível infeção Covid-19”, explica à Renascença Ana Cardoso.

A presidente da direção da associação de agricultores lembra que a vindima implica “um grande fluxo de pessoas, com circulação entre várias localidades, e é também uma reunião familiar ou uma festa de entreajuda entre os produtores mais pequenos”, por isso, face à realidade atual, não se pode arriscar.

“Há que sensibilizar, há que prevenir, porque seria gravíssimo ficar, por causa de um surto de Covid-19 numa exploração, o trabalho de um ano inteiro por colher. Se não se vindimar, não há resultados, podendo ficar em causa a sustentabilidade de muitas famílias e empresas”, alerta a dirigente do centro de gestão agrícola.

Por isso, Ana Cardoso considera que é fundamental implementar medidas de prevenção básicas na vinha como o uso da máscara, a higienização das mãos e a não partilha de objetos.

“O uso de máscara vai ser muito complicado e difícil dadas as condições no terreno, com uma exposição solar terrível. Estamos a falar de 40 graus, onde as pessoas vão suar muito”, admite a presidente da associação de agricultores, alertando, no entanto, que “é fundamental que seja usada o maior tempo possível”.

É também aconselhado que não se partilhem objetos, como tesouras ou recipientes usados para colocar as uvas cortadas e que sejam constituídas pequenas equipas por valado, sempre com as mesmas pessoas.

Assim, “em caso de infeção, será mais fácil identificar os contactos”, diz Ana Cardoso, aconselhando ao trabalho “frente a frente, com uma certa distância, nos lados opostos da videira, com a folhagem a servir de barreira física”.

A presidente do Centro de Gestão Empresa Agrícola Vale da Porca alerta ainda para os cuidados a ter no transporte dos vindimadores e lembra que os veículos não podem ultrapassar os dois terços da sua lotação.

“Deve ser sempre a mesma pessoa a conduzir as viaturas ou então proceder à sua desinfeção, sempre que haja trocas”, esclarece.

Apesar de, tradicionalmente, as vindimas serem um tempo de festa e de convívio, em tempos de Covid-19, são desaconselhados os convívios e “são precisos cuidados acrescidos durante as refeições, nomeadamente para que não haja partilha de alimentos”.

“O nosso papel aqui é prevenir, prevenir, prevenir, porque uma pessoa pode estar infetada, ser assintomática, e andar uma semana na vindima sem ninguém perceber”, reforça a dirigente associativa.

A evolução da Covid-19 “depende do comportamento e da atitude de todos”, vinca Ana Cardoso, apelando ao empenho de todos, porque uma possível cadeia de transmissão seria uma desgraça para a economia do concelho”.

As sessões de esclarecimento designadas “A Covid-19 não vindima” começam esta quarta-feira nas aldeias de Porrais e Sobreira, freguesia de Candedo, e prosseguem depois por Noura, Palheiros e Murça. No decorrer destas ações vão ser distribuídos panfletos com os cuidados básicos que devem ser seguidos.

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