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União das Misericórdias em desacordo com Ordem dos Médicos: "O problema não é de monitorização"

08 ago, 2020 - 09:22 • Vítor Mesquita com redação

Manuel Lemos entende que a relação das Misericórdias com os delegados de saúde é muito positiva e que o problema está na organização dos próprios lares, que "não são unidades de saúde".

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A União das Misericórdias e a Ordem dos Médicos estão em desacordo sobre a necessidade de monitorização nos lares pela Direcção Geral da Saude, na sequência da auditoria à resposta ao surto de Reguengos de Monsaraz.

O presidente da instituição, Manuel Lemos, entende que a relação das Misericórdias com os delegados de saúde é muito positiva e sustenta, em declarações à Renascença, que o problema não é de monitorização.

"Não me parece que o problema seja de monitorização, de uma maneira geral temos boas relações com os delegados de saúde. O que me parece é que é uma matéria que exige muita reflexão para sabermos que tipo de unidades vamos criar. Em relação às unidades que temos, o assunto está resolvido. Enquanto não for mudada, a lei não exige médico nas unidades de saúde. Portanto, o que é suposto é que sendo os idosos utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o SNS os proteja como deve proteger", afirma Manuel Lemos.

Manuel Lemos explica que, apesar de não serem unidades de saúde, grande parte da instituições dispõe de um médico ao serviço e entende por isso que, se há algo a mudar, é o tipo de lares que devemos ter no futuro

"Percebemos que é necessária uma mudança olhando para o perfil das pessoas que estão em lares, e sobretudo porque o SNS não tem acompanhado como devia, como está no pacto de cooperação, os idosos. É preciso percebermos: num lar do futuro, não só a construção e a organização do lar têm de ser diferentes como os recursos humanos também têm de ser diferentes", defende Manuel Lemos.

O presidente da União das Misericórdias defende que a lei seja alterada, mas nunca "de rajada e de forma emocional".

"Temos de verificar em que condições e com que recursos", diz à Renascença.

Lar de Reguengos de Monsaraz não cumpria as orientações da DGS, revelou auditoria

Uma auditoria da Ordem dos Médicos concluiu que o lar de Reguengos de Monsaraz não cumpria as orientações da DGS.

O bastonário da Ordem dos Médicosdefendeu que a Direção-Geral de Saúde (DGS) deve acompanhar mais de perto situações como a do lar de Reguengos de Monsaraz, onde um surto de Covid-19 matou 18 pessoas.

“É preciso que a DGS controle mais de perto estas situações que envolvem lares”, afirma o bastonário, Miguel Guimarães, em declarações à agência Lusa, sublinhando: “Nesta altura de pandemia, a DGS deveria ter mais tentáculos, mais pessoas que permitissem atuar mais longe”.


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