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Meios pesados como o Canadair têm “pouca eficácia” em terrenos como o do Gerês, diz especialista

08 ago, 2020 - 15:06 • André Rodrigues com redação

Presidente do Centro de Estudos e Intervenção em Proteção Civil questiona a utilização deste meio pesado em condições como as do Parque Nacional Peneda-Gerês.

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Depois da queda de um Canadair de combate a incêndios no Gerês, que fez um morto e um ferido grave, o presidente do Centro de Estudos e Intervenção em Proteção Civil questiona, em declarações à Renascença, a eficácia do avião Canadair para o combate a incêndios em condições como as do Parque Nacional Peneda-Gerês.

Duarte Caldeira explica que se trata de uma manobra de extrema complexidade, atendendo à orografia do terreno e ao facto de se tratar de um meio aéreo pesado.

"Há quem defenda que, para este tipo de orografia, o meio pesado é o mais desadequado, sendo privilegiados, neste tipo de terreno, meios leves”, lembra o especialista.

“Não gosto destas matérias de ter posições definitivas, mas tenho de reconhecer que na apreciação que vou fazendo ao longo dos anos, nesta região, nestas zonas, estes meios têm um grau de eficácia mais reduzida do que noutra tipologia de terreno”, diz.

Duarte Caldeira lembra ainda que o “scooping”, a manobra de reabastecimento de água que deu origem ao acidente, é uma manobra “bastante exigente”.

“Pode parecer que é simples, mas o Canadair é um avião com porte considerável. Claro que pode ter acontecido um erro mecânico ou um erro humano, é prematuro fazer qualquer tipo de considerações. Mas importa reter que o "scooping" é uma das manobras mais perigosas na utilização de aeronaves pesadas no combate a incêndios florestais”, explica.

Um avião Canadair (CL215) que estava a combater a um incêndio no Parque Nacional da Peneda-Gerês, em Lindoso, Ponte da Barca, despenhou-se esta manhã em território espanhol, "a cerca de um, dois quilómetros da fronteira com Portugal".

O acidente fez um morto - Jorge Jardim, piloto português com 65 anos - e um ferido grave, um piloto espanhol, que foi transportado para o Hospital de Viana do Castelo.

O combate foi feito "com recurso a ferramentas manuais", apoiadas por meios aéreos, já que é uma zona "de muito difícil acesso", disse esta manhã à Renascença o comandante Paulo Santos, da ANEPC.

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