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Após explosão devastadora em Beirute, Líbano tem cereais "para pouco menos de um mês"

05 ago, 2020 - 10:55 • Reuters

Governo libanês pede ajuda para recuperar do desastre que provocou pelo menos 100 mortos e cerca de 4 mil feridos. Vários países já enviaram equipamento e pessoal médico para apoiar na primeira fase de rescaldo da explosão.

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Os estragos provocados pela explosão. “É como se um enorme terramoto tivesse atingido Beirute. Estou sem palavras”
Os estragos provocados pela explosão. “É como se um enorme terramoto tivesse atingido Beirute. Estou sem palavras”

O principal silo de armazenamento de cereais no porto de Beirute ficou completamente destruído na explosão que abalou a capital libanesa na terça-feira, provocando a morte de 100 pessoas e cerca de 4 mil feridos.

Esta quarta-feira, o ministro da Economia do Líbano explicou que, com a explosão "devastadora" de ontem, as reservas de trigo armazenadas ao longo de vários meses desapareceram, deixando a nação com cereais garantidos "para pouco menos de um mês".

Em entrevista à Reuters, Raoul Nehme diz que, para garantir a segurança alimentar da população, o Líbano precisa de reservas para pelo menos três meses.

A explosão deixou a zona portuária de Beirute completamente destruída, inutilizando a principal porta de entrada marítima de importações para alimentar uma nação de mais de seis milhões de habitantes.

O silo que ficou destruído tinha capacidade para armazenar 120 mil toneladas de cereal, de acordo com Ahmed Tamer, diretor do porto de Trípoli, a segunda maior cidade do Líbano.

O porto em Trípoli, o segundo maior do país a seguir ao de Beirute, não está equipado para armazenar cereal, mas o trigo que resta pode ser transferido para armazéns a cerca de dois quilómetros de distância, adiantou Tamer.

Quando se deu a explosão, o silo de Beirute armazenava não mais que 15 mil toneladas de trigo, de acordo com Ahmed Hattit, dirigente do sindicato de importadores de cereais, citado pelo jornal local "Al-Akhbar".

Explosão provoca dezenas de mortos e milhares de feridos em Beirute
Explosão provoca dezenas de mortos e milhares de feridos em Beirute

Hattit adianta que as atuais reservas de farinha do Líbano são suficientes para garantir as necessidades do mercado durante um mês e meio. Também assegura que quatro navios de carga, que transportam no total 28 mil toneladas de trigo para o país, ainda não atracaram no porto.

De acordo com uma fonte oficial do Ministério da Economia, citada pela emissora LBCI, o Líbano está a tentar transferir de imediato quatro navios com um total de 25 mil toneladas de farinha para o porto de Trípoli.

Países disponibilizam ajuda médica

França, Turquia e vários Estados do Golfo estão entre os países que já ofereceram ajuda ao Líbano após a explosão no porto de Beirute.

O Presidente de França, Emmanuel Macron, disse que vai enviar 55 forças de segurança e seis toneladas de equipamento de saúde. Dez médicos de unidades de emergência francesas também vão voar para Beirute, após os hospitais da capital libanesa terem atingido o limite das suas capacidades face ao número elevado de feridos.

"França estará sempre ao lado do Líbano e do povo libanês e está preparada para oferecer apoio dependendo das necessidades manifestadas pelas autoridades libanesas", indicou o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Yves Le Drian, também no Twitter.

Entretanto, a Fundação de Ajuda Humanitária da Turquia (IHH) está já a apoiar as equipas de resgate e salvamento no terreno, à procura de sobreviventes e corpos sob os escombros. A ONG também improvisou uma cozinha comunitária num campo de refugiados palestinianos em Beirute para servir comida a quem precisa, adianta Mustafa Ozbek, da IHH, à Reuters.

"Estamos a dar assistência com uma aumblância para transferir pacientes e podemos ajudar no que for preciso se os hospitais assim necessitarem", garante a fonte.

O Ministério da Saúde do Kuwait também já fez chegar à capital libanesa ajuda médica e outros bens essenciais. As provisões foram transportadas de avião militar esta quarta-feira de manhã. Uma ONG do país também já se disponibilizou para ajudar no que o Líbano precisar.

A agência de notícias do Qatar, QNA, noticiou hoje o envio do primeiro avião militar que transporta ajuda médica para o Líbano. Outros três aviões chegarão a Beirute ao longo do dia, com material para montar dois hospitais de campanha com 500 camas cada um, equipamento de ventilação e outro material sanitário.

A Rússia também vai enviar cinco aviões com equipamento, um hospital de campanha e também pessoal médico. Todos os profissionais de saúde vão viajar para Beirute equipados com equipamento de proteção por causa da pandemia de Covid-19, adiantou o Governo russo.

Da parte da Europa, a Holanda confirma que vai enviar uma equipa de resgate e salvamento composta por 67 médicos, enfermeiros, bombeiros e agentes da polícia para apoiar nas buscas por sobreviventes sob os escombros da zona portuária.

A União Europeia (UE) anunciou entretanto que, "num primeiro passo imediato", ativou o Mecanismo de Proteção Civil comunitário para enviar mais de 100 bombeiros, que vão trabalhar no local do desastre a apoiar nas buscas.

Já a partir do Irão, o Presidente Hassan Rouhani disse que está preparado para enviar a ajuda médica que for necessária. "Esperamos que as circunstâncias deste incidente sejam apuradas o mais rápido possível para que a paz retorne a Beirute", declarou num discurso transmitido pela televisão estatal.

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