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Acidente com Alfa. Máquina de conservação passou sinal vermelho e foi arrastada 500 metros

01 ago, 2020 - 12:41 • Lusa

Desde a entrada da máquina na Linha do Norte até ao embate passaram 20 segundos. Descarrilamento provocou dois mortos e 44 feridos, oito dos quais graves.

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O Veículo de Conservação de Catenária (VCC), que foi abalroado na sexta-feira pelo comboio Alfa Pendular, em Soure, passou um sinal vermelho e entrou na Linha do Norte.

Segundo uma Nota Informativa do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), o VCC "do gestor da infraestrutura tinha marcha estabelecida para a sua deslocação entre o Entroncamento e Mangualde", era tripulado por dois trabalhadores (as duas vítimas mortais) e "não iria realizar quaisquer trabalhos no decurso da sua viagem".

Pelas 15h12, explica a máquina parou na via de resguardo da estação de Soure a aguardar pela passagem do Alfa mas, alguns momentos depois, "por razões, que neste momento estão indeterminadas e que serão aprofundadas no decurso da investigação, o VCC reinicia a sua marcha, ultrapassando o sinal que se mantinha com aspeto vermelho".

"Os VCC, tal como a generalidade dos veículos de manutenção de via no nosso país, não estão equipados com o sistema CONVEL, motivo pelo qual não foi desencadeada a frenagem automática resultando na consequente imobilização antes de atingir um ponto de perigo", sublinha a nota informativa.

A investigação conta que o atravessamento da estação de Soure pelo Alfa Pendular "foi feito à velocidade prevista de cerca de 190" quilómetros hora, momento em que os maquinistas visualizaram o sinal vermelho na linha[I] do Norte (sinal passou de verde para vermelho porque o VCC entrou na linha I) e o VCC a convergir para a via em que circulavam.

Após a ultrapassagem do sinal vermelho pelo VCC às 15h25, o sinal da linha I passou automaticamente a vermelho.

Desde a entrada da máquina na Linha do Norte até ao embate passaram 20 segundos. "O freio foi acionado, sem que tal pudesse impedir a colisão, a qual ocorreu às 15h26. Na sequência da colisão, descarrilaram os primeiros dois veículos do CPA 4005 [Alfa Pendular] e o veículo foi arrastado à sua frente durante cerca de 500 metros, até à imobilização do conjunto", refere a nota.

A Renascença já tinha falado com o secretário-geral do Sindicato Nacional dos Ferroviários do Movimento e Afins (SIinafe), que confirmou que a máquina não estava a fazer qualquer reparação.

Arrancaram, esta manhã, os trabalhos de remoção das composições envolvidas no acidente na linha ferroviária do Norte e de reabilitação da via e da catenária já começaram, segundo a Infraestruturas de Portugal.

Contudo, "devido à complexidade dos trabalhos", ainda não é "possível prever quando será restabelecida a circulação na Linha do Norte".

Já tiveram alta 41 dos 44 feridos do descarrilamento. O gabinete de relações públicas do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) refere que dos 28 feridos que deram ali entrada, 25 já tiveram alta clínica e os restantes três permanecem internados.

"Um doente está internado na medicina intensiva (o caso que inspira mais cuidados) e dois estão na unidade de cuidados cirúrgicos intermédios", disse a mesma fonte.

Quanto aos 12 feridos que foram transportados para o Hospital Distrital da Figueira da Foz já tiveram todos alta hospitalar, segundo informações do gabinete de relações públicas daquela unidade.

O comboio seguia no sentido sul - norte com destino a Braga e o descarrilamento ocorreu após o embate entre o Alfa Pendular e uma máquina de trabalho, perto da vila de Soure, junto à localidade de Matas.

As duas vítimas mortais eram os únicos ocupantes da máquina da Infraestruturas de Portugal, de acordo com o comandante distrital de operações de Coimbra, Carlos Luís Tavares.

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